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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

O clássico de 1918

🏆Reconhecido como a maior rivalidade do país, o clássico gre-nal foi constituído de muitos episódios curiosos que formaram o futebol gaúcho da atualidade. 

 🏆Às 16h, do dia 4 de agosto de 1918, o Internacional disputou o Gre-Nal número 11 no campo do rival. Tínhamos como principal jogador o atacante Álvaro Ribas que participou de toda campanha do Pentacampeonato Citadino (1913-1917). Em 35 partidas disputadas pelo Inter de 1912 a 1918, Ribas marcou 28 gols. No clássico anterior, disputado no dia 19 de maio, o atacante havia marcado duas vezes para o resultado de 5 a 3 a favor do Inter.

🏆O Gre-Nal 11 foi marcado pela violência e está na historiografia do futebol como uma das principais razões da intensa rivalidade. Na verdade, foram duas partidas: uma, entre o primeiro quadro dos dois clubes valendo pontos no campeonato citadino de 1918, e outra entre os jogadores do segundo quadro. 

🏆Segundo o jornal Kodak, aos 18 minutos do jogo do segundo quadro, o defensor Rolim, do Grêmio, cometeu uma falta grave em cima do atacante Ary, do Inter. A colisão resulta na perda de um jogador em campo. Mesmo desfalcado, o Inter seguiu atacando corajosamente o gol adversário até que, aos 23 minutos do segundo tempo, Hormain aproveita um entrevero na frente do gol dos azuis e marca o gol da vitória colorada.

🏆Já no jogo do primeiro quadro, válido pelo campeonato citadino, o rival abriu vantagem com um gol de pênalti marcado na fase inicial da partida, mas acabou perdendo - a partida e a razão - no segundo tempo do certame. Mesmo com a vantagem no placar, a torcida adversária se inflamava contra nossos jogadores um pouco além do futebol. Por manter contato com um gremista exaltado, o atacante Álvaro Ribas foi esfaqueado no abdômen.

🏆O jogo foi interrompido, o torcedor foi preso e Ribas encaminhado ao hospital. O atleta se recuperou, mas nunca mais voltou aos gramados. O Grêmio renunciou os pontos desta partida, ainda contabilizada erroneamente para o lado azul. É por Ary e Ribas que a rivalidade Gre-Nal cresceu e se tornou implacável nos combates. Mesmo com a falha no registro do clássico de 1918, somam-se 164 clássicos vencidos pelo Inter em seus 115 anos. 🏆A vantagem em vitórias é vermelha desde 1945, quando despontamos com o hexacampeonato gaúcho.

Diz o texto* na foto: "Um grupo de senhorinhas de nossa elite na ocasião em que visitava o sportmann Alvaro Ribas, ferido no lamentavel conflicto ocorrido domingo ultimo, no match Gremio-Internacional. - Nos medalhões acima, Alvaro Ribas e Octavio Telles, tambem ferido ma mesma ocasião."
*foi mantida a grafia original da publicação

Texto: 
Anna Laura Chepp

Fontes:
Acervo Núcleo de Memória do Sport Club Internacional (Arquivo Histórico SCI/Biblioteca Zeferino Brazil - FECI/Museu do Inter Ruy Tedesco) e @scinternacional
Revista  Kodak, ano 1918, edição 51/ consulta Hemeroteca Digital

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Grandes Jogadores do Internacional: Carlitos

É comemorado hoje o aniversário de um dos grandes ídolos colorados: Alberto Zolim Filho, o Carlitos. Nascido no dia 27 de novembro de 1921, nesta sexta o jogador completaria 94 anos! 
Carlitos foi o grande goleador do Rolo Compressor, atuando durante 14 anos, marcando 485 gols e o maior artilheiro da história dos Gre-Nais. Sempre brincalhão, chegou a prender a camiseta do jogador adversário no gancho da rede. Autor de um eterno e memorável feito na história colorada, o  "Gol do Plano Inclinado". Fiel ao clube, jamais defendeu outro time em sua longa carreira. 




                                                            















Fonte das imagens: Revista Colorada/Edição nº6 Jul/Ago-1958 - Biblioteca Zeferino Brazil/FECI
Colaboração: Ana Maria Froner Bicca - Bibliotecária CRB10-1310

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Ler é um Gol de Placa. Sugestão de Leitura da Biblioteca do Internacional

                                         Gre-Nal: uma História bem gaúcha
No próximo domingo, 22/11/2015, chegamos ao 408 Gre- Nal. As duas maiores equipes do Rio Grande do Sul se enfrentam pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Você conhece a história deste Clássico Gaúcho? Que time foi o maior vencedor até agora? Quantos gols já foram marcados? Quem são os maiores artilheiros? Quem são os maiores zagueiros?  Escalações? Palpites e “pitacos” sobre escalações e esquemas táticos? Os treinadores? Os diretores e o furor dos torcedores. Dicotomia futebolística. Emoções!!! Emoções!!!
O Rio Grande do Sul neste domingo estará dividido em  Vermelho e Azul! Uma História bem Gaúcha! Corpo e alma entram em campo, ninguém fica de fora de um Gre-Nal. E você poderá ficar mais por dentro desta disputa,  lendo o excelente trabalho realizado pelo Coimbra, pelo Noronha e o Souza e imortalizado na obra “A História dos Grenais”. Obra editada pela Artes e Ofícios que se encontra a disposição no acervo da Biblioteca Zeferino Brazil.  

Capa da primeira edição 

Texto Elaborado por Ana Maria Froner Bicca- Bibliotecária do Sport Club Internacional
Data:19/11/2015                       

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Tesourinha: O "Melhoral dos Cracks"

Nascido Osmar Fortes Barcellos, em Porto Alegre, no ano de 1921, ganhou o apelido de Tesourinha em decorrência da sua participação no bloco de carnaval Os Tesouras, fundado pelo seu padrasto. 

Tesourinha participava dos desfiles em companhia do irmão mais velho, Ademar. Ambos levavam o estandarte do bloco pelas ruas da Cidade Baixa. Ademar passou a ser conhecido como Tesoura, enquanto Osmar, por ser menor e mais novo, virou Tesourinha, que passou a ser sua identidade e como se tornaria conhecido.

Fonte: Sport Club Internacional.
No dia 23 de outubro de 1939, no Estádio da Montanha (Cemitério João XXIII, atualmente), contra o Cruzeiro, Tesourinha substitui Carlitos, lesionado. Vitória de 2 x 1 para o Internacional, em jogo válido pelo Campeonato Metropolitano. Era a estreia daquele que se tornaria a grande estrela do Rolo Compressor e que como parte do pagamento, durante o período inicial de sua carreira, recebia diariamente dois litros de leite e um quilo de carne, a fim de bem nutrir o minguado atleta, cujo tamanho era inversamente proporcional ao seu futebol.

Fonte: JÚNIOR, Amaro. Almanaque esportivo do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Tipografia Esperança, 1946.
Ao lado de Carlitos, Adãozinho e Villalba formou o clássico ataque que conquistou, consecutivamente, os títulos Estaduais de 1940 a 1945 e o Bicampeonato de 1947 e 1948. O dono da camisa sete Colorada tinha um estilo de jogo fulminante e decidido, famoso tanto pela sua extrema velocidade no arranque, quanto pelos seus dribles rápidos e desconcertantes.

Fonte: JÚNIOR, Amaro. Almanaque esportivo do Rio Grande do Sul.Porto Alegre: Tipografia Esperança, 1943.
Tesourinha teve uma existência marcada pela primazia do pioneirismo. Em 1944, torna-se o primeiro atleta do Sport Club Internacional (atuando pelo clube) convocado para a Seleção Brasileira, onde compôs o ataque com Zizinho, Jair, Ademir e Heleno de Freitas. Em 1949 conquista o Sul-Americano de Seleções, quando marcou sete gols e foi escolhido como o melhor do campeonato.

Fonte: Sport Club Internacional.
No dia 15 de janeiro de 1949, em concurso nacional realizado pelo fabricante do remédio Melhoral, é eleito pelo voto popular como o Melhoral dos Cracks. O prêmio foi um apartamento na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro/RJ. No final daquele ano jogaria no Vasco da Gama, onde seria Bicampeão Carioca, o primeiro da era Maracanã, construído para a realização da Copa do Mundo no Brasil.

Em 1950, a maior decepção: o craque não pôde realizar o sonho de jogar uma Copa do Mundo. A lesão no joelho direito sepultou com as suas chances na Seleção Brasileira que disputou a competição. Muitos juram até hoje que com ele a sorte do Brasil naquele mundial teria sido diferente.

Fonte: Sport Club Internacional. 12/3/1943 - Grenal n° 76 - Inter 5 x 1 Grêmio. 
Entretanto, ainda não era o fim de sua brilhante carreira. Tesourinha realizaria mais uma façanha inédita. No dia 16 de março de 1952, marca um gol na vitória do Grêmio de cinco a três contra o Juventude. 

Esta informação seria absolutamente irrelevante, não fosse pelo fato de Tesourinha ser negro. O Grêmio, através de seu presidente Saturnino Vanzeloti, vencia o preconceito e, rompendo com disposição contida no estatuto do clube, contratava Tesourinha para vestir a camisa Tricolor.

A contratação de Tesourinha foi tão polêmica que obrigou a diretoria do Grêmio a publicar nota oficial do clube na imprensa, que destaco parcialmente:

A Diretoria do Grêmio P. A. vem trazer a conhecimento de seus associados e simpatizantes que, por decisão unânime, resolveu tornar insubsistente a norma que vinha sendo seguida de não incluir atleta de cor em sua representação de futebol. O uso que se formou, a tradição que se consolidou não podem mais prevalecer na época atual, onde um profissionalismo absoluto está a exigir sempre as mais decididas medidas para garantir da sobrevivência das agremiações. Seguimos, com a orientação que tomamos, a exemplo das mais gloriosas e tradicionais agremiações do Brasil e do Continente.

Cinco anos depois ele se despedia oficialmente dos gramados vestindo a camiseta do Nacional de Porto Alegre, numa carreira marcada por glórias e conquistas.

Em 1979, aos 57 anos, é vitimado por um câncer no estômago.

Antes, porém, teve a oportunidade de receber uma justa homenagem: em 26 de março de 1969, no jogo festivo de despedida do Estádio Eucaliptos, vestiu pela última vez a lendária camisa sete vermelha, aos 47 anos de idade, para o delírio do público presente.

Numa mescla dos craques que iluminaram o velho estádio, com as promessas que estreariam o majestoso Beira-Rio, o Sport Club Internacional, que venceu o jogo contra o Rio Grande pelo placar de 4 x 1, contou com a seguinte escalação: Gainete (Schneider); Laurício (Madureira), Pontes (Macau), Valmir e Sadi (Jorge Andrade); Lamas (Tovar), Dorinho (Rui) e Bráulio (Tesourinha); Valdomiro (Gilson Porto), Sergio (Marciano) e Urruzmendi (Cuca).

Texto: Stephanos Demetriou Stephanou Neto, historiador.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Gre-Nal 404 - Um jogo que nasceu histórico


O Gre-Nal nº 404 entrou para a história antes mesmo de acontecer. Contando pela primeira vez com uma torcida mista, onde os torcedores Colorados e Gremistas acompanharam o jogo lado a lado, a iniciativa mostrou-se um sucesso. 

Os ingressos foram vendidos para sócios colorados, que tinham direito a levar um acompanhante gremista. Todos estavam cientes das condições e assinaram um termo de responsabilidade na hora da compra. 

Como podemos ver na imagem acima, o primeiro Gre-Nal com torcida mista ocorreu de maneira organizada e pacífica. 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Grenal é sempre um grande jogo!!!

Dois momentos do clássico:

 Escurinho comemora um dos gols que fez na vitória do Inter!! 
Grenal n° 216 - Beira-Rio - 01/05/1975 
 Inter 2 x 0 Grêmio



Na foto, a direita, o jogador Russinho, autor de um dos gols da vitória colorada!
Grenal n° 64 - Campo do Grêmio - 28/04/1940 
 Inter 3 x 2 Grêmio