Glória do desporto nacional!

Oh, Internacional

Que eu vivo a exaltar

Levas a plagas distantes

Feitos relevantes

Vives a brilhar

Correm os anos, surge o amanhã

Radioso de luz, varonil

Segue a tua senda de vitórias

Colorado das glórias

Orgulho do Brasil

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Consciência Negra e a história do Sport Club Internacional.

📷 Livro O Gigante da Beira Rio 
 No Brasil desde a década de 1970 no mês de novembro, mais especificamente no dia 20 de novembro, é celebrado o dia da Consciência Negra, a ocasião é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A data foi escolhida por simbolizar o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, o maior líder negro do Brasil, que lutou pela libertação contra o sistema escravista.
Em síntese Consciência Negra representa a luta dos negros contra a discriminação racial e a desigualdade social, gerando por parte da pessoa negra, um sentimento identitário, o entendimento da necessidade de união de forças e estratégias junto aos seus irmãos em torno da causa de sua atuação frente ao racismo e a discriminação social vigente.
Historicamente o Sport Club Internacional é reconhecido como “O Clube do Povo”, inicialmente por seus fundadores, em 1909, serem pertencentes da camada popular da cidade de Porto Alegre, posteriormente pela integração de negros no grupo de jogadores e no quadro social do clube.
Na década de 1940 a grande série de vitórias e conquistas do “ Rolo Compressor”, time colorado formado por um número expressivo de negros, característica atípica nos clubes de futebol de maior expressão do período, contribuiu para a que a torcida e dirigentes de outros clubes, utilizassem apelidos depressiativos contra a torcida colorada. Já na década de 1950 a imagem de um menino negro tornou-se o símbolo colorado na imprensa, e com o passar dos anos a imagem do menino deu lugar a um Saci- Pererê, o qual foi adotado como mascote oficial do clube em 2016, o único mascote negro entre os grandes clubes do Brasil.
A relação entre o clube e o povo, que perpassou pelo total apoio dos torcedores colorados na construção do Estádio Beira-Rio em 1969, ganhou nova perspectiva na década de 2010, quando o atleta Rentería passou a comemorar seus gols, caracterizando-se e imitando um Saci-Pererê. 
📷 Jornal do Inter Ed. 22/2006
O gesto de Rentería, que jogou no grupo profissional multicampeão de 2005 e 2006, o aproximou do torcedor e provocou um carinho muito especial ao celebrar o gol com a simbologia do Saci, símbolo da torcida colorada enraizado nas décadas anteriores.
Na atualidade, dois atletas do elenco profissional colorado ganharam destaque ao comemorar seus gols, ambos utilizando gestos que trazem à tona a luta antirracista. O primeiro foi Patrick, que em 2018 passou a comemorar seus gols fazendo o gesto e utilizando a máscara do personagem Pantera Negra, o segundo foi Taison, jogador oriundo das categorias de base colorada que sofreu com o racismo atuando na Europa, retornou ao clube em 2021 e comemora seus gols fazendo gesto antirracista.

📷 Diego Vara/BP Filmes - Globo Esporte - 26/06/2018

📷 Site Sport Club Internacional

O racismo existente na sociedade brasileira é evidenciado constantemente nos estádios de futebol desse país, a história do Sport Club Internacional possui uma série de episódios em que o clube e sua torcida transformaram insultos racistas em símbolo de resistência. Possuir em seu elenco jogadores profissionais que possuem engajamento na luta antirracista é mais uma forma de registrar na história do clube essa assinatura. Para alguns pode ser apenas um gesto, no entanto essas atitudes contribuem de forma singular para a luta da população negra contra a discriminação racial e a desigualdade social enfrentada.
📷 Site Sport Club Internacional

Texto: Professor Vander Duarte - Arquivista, Historiador, Mestre em Patrimônio Cultural - @profvanderduarte

Fontes:
Acervo /Arquivo Histórico SCI/Biblioteca Zeferino Brazil/Sport Club Internacional
Livro O Gigante da Beira-Rio entra na Literatura - Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Centenário de Tesourinha

 

Ficha de sócio da década de 1970 - Arquivo Histórico SCI

Tesourinha, reconhecido como jogador símbolo de vitória do Inter, participou do Rolo Compressor e foi fundamental para a conquista de diversos títulos colorados.
No ano de centenário de seu nascimento, queremos homenageá-lo mostrando um pouco de sua história.
Foi ídolo, craque e torcedor colorado!⚽

Assistindo jogo em sua cadeira colorada! Arquivo Histórico/SCI

Capa Livro Tesourinha - Sérgio Endler

Detalhe de página  do Livro Tesourinha - Sérgio Endler

👀Porque Tesourinha? Nascido Osmar Fortes Barcellos, em Porto Alegre, no ano de 1921, ganhou o apelido de Tesourinha em decorrência da sua participação no bloco de carnaval Os Tesouras, fundado pelo seu padrasto. 
Tesourinha participava dos desfiles em companhia do irmão mais velho, Ademar. Ambos levavam o estandarte do bloco pelas ruas da Cidade Baixa. Ademar passou a ser conhecido como Tesoura, enquanto Osmar, por ser menor e mais novo, virou Tesourinha, que passou a ser sua identidade e como se tornaria conhecido.
Placar Edição Especial - As maiores torcidas do Brasil

👉Estreia no Inter: Foi em uma substituição no jogo  contra o Cruzeiro em 23 de outubro de 1939, no Estádio da Montanha, que aconteceu sua estreia e com vitória de 2 x 1 para o Internacional num jogo válido pelo Campeonato Metropolitano. Carlitos lesionado, dá lugar para aquele que se tornaria a grande estrela do Rolo Compressor.
No início tinha como parte do pagamento, receber diariamente dois litros de leite e um quilo de carne.
Mas nada impediu que ao lado de Carlitos, Adãozinho e Villalba, o camisa sete Colorada tenha conquistado com seu talento os títulos Estaduais de 1940 a 1945 e o Bicampeonato de 1947 e 1948. Era a época do Rolo Compressor!
Rolo compressor - Fonte: Arquivo Histórico/SCI
Vicente Rao a esquerda com grupo de meninos e Tesourinha a direita. Fonte: Álbum Vicente Rao 

✌Seleção Brasileira: Em 1944, torna-se o primeiro atleta do Sport Club Internacional (atuando pelo clube) convocado para a Seleção Brasileira, onde compôs o ataque com Zizinho, Jair, Ademir e Heleno de Freitas. Em 1949 conquista o Sul-Americano de Seleções, quando marcou sete gols e foi escolhido como o melhor do campeonato. Infelizmente não conseguiu  participar da Copa do Mundo de 1950 quando uma lesão tirou do craque a realização deste sonho.
Na seleção brasileira - Arquivo Histórico/SCI

🏆Melhoral dos Cracks: Tesourinha era ímpar em seu talento, o que só foi comprovado quando ganhou em concurso nacional realizado pelo fabricante do remédio Melhoral, no dia 15 de janeiro de 1949, o título   de 'Melhoral dos Cracks', eleito pelo voto popular
Ainda em 1949,jogou representando o Vasco da Gama, ficando com o título de Bicampeão Carioca.

💪Fazendo a diferença: Conforme conta o historiador Stephanos Demetriou Stephanou Neto "Tesourinha realizaria mais uma façanha inédita. No dia 16 de março de 1952, marca um gol na vitória do Grêmio de cinco a três contra o Juventude. 
Esta informação seria absolutamente irrelevante, não fosse pelo fato de Tesourinha ser negro. O Grêmio, através de seu presidente Saturnino Vanzeloti, vencia o preconceito e, rompendo com disposição contida no estatuto do clube, contratava Tesourinha para vestir a camisa Tricolor.
A contratação de Tesourinha foi tão polêmica que obrigou a diretoria do Grêmio a publicar nota oficial do clube na imprensa, que destaco parcialmente:
A Diretoria do Grêmio P. A. vem trazer a conhecimento de seus associados e simpatizantes que, por decisão unânime, resolveu tornar insubsistente a norma que vinha sendo seguida de não incluir atleta de cor em sua representação de futebol. O uso que se formou, a tradição que se consolidou não podem mais prevalecer na época atual, onde um profissionalismo absoluto está a exigir sempre as mais decididas medidas para garantir da sobrevivência das agremiações. Seguimos, com a orientação que tomamos, a exemplo das mais gloriosas e tradicionais agremiações do Brasil e do Continente."

Fim de jogo: Após brilhante jornada como esportista, encerrou sua carreira em 1957, jogando pelo clube Nacional de Porto Alegre.
😥Em 1979, aos 57 anos, é vitimado por um câncer no estômago e vem a falecer.


Ficha técnica:

Posição: Atacante
Data de Nascimento: 03/10/1921
Naturalidade: Porto Alegre (RS)

Carreira:
Internacional: 1939 – 1949
Vasco: 1949 – 1952
Grêmio: 1952 – 1955
Nacional (RS): 1955 – 1957

Títulos:
Campeonato Gaúcho – 1940 – Internacional
Campeonato Gaúcho – 1941 – Internacional
Campeonato Gaúcho – 1942 – Internacional
Campeonato Gaúcho – 1943 – Internacional
Campeonato Gaúcho – 1944 – Internacional
Campeonato Gaúcho – 1945 – Internacional
Campeonato Gaúcho – 1947 – Internacional
Campeonato Gaúcho – 1948 – Internacional
Campeonato Sul-Americano de seleções – 1949 – Brasil
Campeonato Carioca – 1950 – Vasco

Fonte: https://www.internacional.com.br/idolos/tesourinha

Assista o documentário do jornalista Ernani Campelo:


Fontes: 
 - publicação post: http://memoriadointer.blogspot.com/2015/04/tesourinha-o-melhoral-dos-cracks.html (texto Stephanos Demetriou Stephanou Neto, historiador.)
- Acervo /Arquivo Histórico SCI/Biblioteca Zeferino Brazil/Sport Club Internacional
- Placar Edição Especial - As maiores torcidas do Brasil
- Livro Tesourinha - Sérgio Endler - 2ª edição - edição Tchê/RBS

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Uma Paixão Vermelha e Branca – Parte II

Quando escrevi para o livro ‘’Colorados – Nada Vai nos Separar ‘’ eu não fazia ideia de onde o amor pelo Inter poderia me levar ou de quanta força eu teria para chegar onde estou hoje. Só sei que eu consegui realizar muito além do meu sonho da época que era morar perto do Beira Rio e poder ir aos jogos torcer de perto pelo Inter.
Dois anos depois da publicação da minha história no livro eu já me encontrava morando em Porto Alegre e começando minha trajetória como colaboradora do Sport Club Internacional. Aconteceu tudo muito rápido, graças a Deus tive o privilégio de conhecer pessoas que me ajudaram ao longo da minha vida e contribuíram para que tudo isso fosse possível. Mesmo morando longe da minha família e não conhecendo nada na cidade eu segui firme e consegui viver esse sonho de estar perto do meu clube do coração.
Hoje entendo que eu precisava estar onde estou, precisava da força dessa paixão pelo Inter para superar muitas coisas que vieram a acontecer um tempo depois na minha vida.
De torcer de longe, acompanhar a rotina do clube apenas por notícias na TV, rádios e internet à poder estar dentro do Beira Rio todos os dias há 7 anos, em todos os jogos, e acompanhar o dia a dia do clube contribuindo não apenas como torcedora, mas também como funcionária, isso é muito gratificante e sou realizada por ter esse privilégio que muitos colorados e coloradas gostariam de ter: de estar tão perto do Inter. Hoje posso dizer que o Beira Rio é sem dúvidas minha segunda casa. Que fui acolhida desde meu primeiro dia em Porto Alegre e que isso me fez tão bem mesmo morando longe da minha família, da qual sempre fui muito próxima.
Uma das minhas lembranças de quando comecei a entender o futebol e escolher o Inter como meu time, eram os recortes de jornais com fotos e notícias com os quais fiz um mural no meu quarto enaltecendo o Inter. Colecionei revistas, guardei posters, levava para casa os jornais de quando eu vinha nos jogos e guardava todos com muito carinho. Parecia que eu previa o que eu faria no futuro. Que seria trabalhar no Arquivo do Sport Club Internacional. (Tudo que vivi até aqui) me faz acreditar ainda mais que deu tudo certo, que era para acontecer, que o sonho e a identificação com um clube é muito forte e pode ajudar muito uma pessoa. Que o futebol é muito mais que futebol.






Este foi um breve relato da minha história com o Inter, convido a todos os colorados que tiverem interesse em compartilhar suas histórias, a entrarem em contato conosco por e-mail e escreverem para nosso blog: arquivohistorico@internacional.com.br

Fonte:
Colorados Nada Vai nos Separar - organização Jana Lauxen - Editora Multifoco - Rio de Janeiro/2012





terça-feira, 24 de agosto de 2021

10 anos do Bi da Recopa

O Sport Club Internacional conquistou o Bi da Recopa em 24/08/2011. Depois de reconquistar a América em 2010 o clube do Povo do Rio Grande do Sul enfrentou o Independiente (Argentina) que havia se consagrado campeão da Sul-Americana. O primeiro jogo foi no Estádio Libertadores de América em Avellaneda no dia 10/08/2011 e a volta foi em Porto Alegre, no Gigante da Beira-Rio.
Precisando reverter a vantagem do time argentino, o Inter contou com o apoio total de seus torcedores que numa atuação fantástica entraram em campo com o Colorado e marcaram junto com os craques os gols necessários para buscar o título. Leandro Damião marcou dois gols no primeiro tempo, Kleber fez de pênalti e a torcida em festa embalou o time até a vitória.
No início do dia 25, as 0h05, o capitão Bolívar levantou a taça no Beira-Rio para alegria explosiva de todos os torcedores. Sport Club Internacional um clube Campeão de todos os torneios na América e no Mundo.



        Foto Alexandre Lops

       
Ficha Técnica - Internacional 3x1 Independiente

Internacional:
Muriel, Nei, Bolívar, Índio e Kleber; Guinãzu, Elton, Andrezinho, D'Alessandro (Andrezinho, 23'/2T) e Oscar; Dellatorre (Jô, 26'/2T) e Leandro Damião. Técnico: Dorival Júnior.

Independiente:
Navarro, Tuzzio, Julián Velázquez, Gabriel Milito e Maximiliano Velázquez; Fredes (Nuñes, 41'/2T), Pellerano, Iván Pérez (Vélez, intervalo) e Ferreyra (Defederico, 41'/2T); Marco Pérez e Parra. Técnico: Antonio Mohamed.

Gols: Leandro Damião, 20'/1T (1-0) e 25'/1T (2-0); Maximiliano Velázquez, 3'/2T (2-1); Kleber, 38'2T (3-1)

Local: Beira-Rio, em Porto Alegre (RS)
Data/hora: 24/8 - 21h50 (de Brasília)
Árbitro: Jorge Larrionda (URU)
Auxiliares: Pablo Fandiño (URU) e Mauricio Espinosa (URU)
Cartões amarelos: Maximiliano Velázquez, Tuzzio, Ferreyra, Fredes (IND)


Fontes:
Acervo /Arquivo Histórico SCI/Biblioteca Zeferino Brazil/Sport Club Internacional
Revista do Inter nº 67 - Setembro/2011- Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Ana Maria Froner Bicca
Bibliotecária do SCI –CRB10-1310

Arte: Caroline de Souza Matos

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Ildo Meneghetti o *Patrono do Internacional

Em entrevista, no ano de 1974,o Sr. Meneghetti afirmava que sua função naquele momento era buscar harmonizar os ânimos sempre que lhe chamassem e apoiar as deliberações que contribuíssem para o crescimento do Internacional. Este Sr. COLORADO então com 79 anos, tinha em seu currículo a honra e o mérito de ser o patrono do Sport Club Internacional.
Porto alegrense, filho de imigrantes italianos, estudante do Ginásio Anchieta e da Escola Brasileira, em 1910 começou sua trajetória colorada ingressando no quadro social do Club na categoria de filhote. Um ano depois já era subdiretor desta categoria, dividindo com Carlos Kluwe (diretor presidente) a responsabilidade de dirigir os filhotes colorados. Segundo depoimento do patrono , sua chegada ao clube foi tentando ser jogador mas era um ¨extrema-direita¨ muito fraco e quando foi eleito subdiretor começou sua vida na administração do Inter. O SCI tinha dois anos de vida.
Ildo Meneghetti, formado em engenharia pela Faculdade de Engenharia de Porto Alegre, presidiu o SCI por sete vezes, sendo cinco delas em consecutivo. Logo ao assumir, já vivenciou problemas com a Federação Rio-Grandense de Futebol, presidida por seu amigo, o colorado Antenor Lemos (que já havia presidido o clube). O Inter rompeu com a Federação e a amizade estremeceu. As questões que se somaram na gestão de Meneghetti eram de ordem financeira e de estrutura, pois o Inter não tinha uma sede.
Ata da primeira eleição de Ildo Meneghetti como presidente em 1929

E aí se dá inicio ao legado imensurável deste Colorado. Ildo Meneghetti, com sua habilidade em lidar com as diferenças, agregou colorados com as mais diversas aspirações e os conciliou para um objetivo único e maior: o Sport Club Internacional. E de sua capacidade de lidar com as diferenças, Ildo Meneghetti conseguiu que tivesse, o Inter, sua primeira casa própria: o Estádio dos Eucaliptos.

Quando, na necessidade de se reestruturar o Eucaliptos-pós Copa de 50 - pois faltava lugares aos torcedores colorados, Ildo Meneghetti somou forças na batalha da área junto as águas do Guaíba, área que hoje tem o Gigante da Beira-Rio. Mas de 1950 até 1969, quando da inauguração do novo estádio, as batalhas foram intensas para se obter a doação da Prefeitura Municipal de Porto Alegre e o Sr. Ildo Meneghetti sempre acompanhou de perto, fazendo questão de com sua autoridade pública (foi prefeito de Porto Alegre e governador do Estado) conciliar todos os interesses em bem do povo e do Clube do Povo.
Dr. Meneghetti foi o criador do chavão GRENAL é GRENAL. Segundo ele isso respondia a qualquer questão pós GreNal e preservava a imagem do esporte. Esta elegância em educadamente exercer uma retórica mais incisiva, fez de Ildo Meneghetti um homem de união e ação pelo seu Internacional.

Estatuto de 1944

*Indivíduo notável que defende uma causa, uma entidade, uma pessoa; protetor.
Fonte: Acervo da Biblioteca Zeferino Brazil/FECI- Sport Club Internacional
Arquivo Histórico do Sport Club Internacional

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Memórias Coloradas: sócio Pedro Gus

 O Sport Club Internacional é um clube de futebol cuja as vitórias e conquistas transcendem as linhas de campo. Em sua trajetória, como uma associação desportiva, o INTER é um exemplo claro de representação popular e tão logo social. Ser COLORADO e fazer parte do quadro social do clube é um sentimento de pertencimento que narra com veracidade a ligação entre torcedor e time. Um sentimento que externa uma paixão, um amor, uma significância de grupo, de equipe....

Hoje, quando nos despedimos do 60° sócio juvenil do Inter, associado na década de 40, enaltecemos todos os Colorados que constroem a grandeza da história do Clube do Povo. 
COLORADOS, vocês são a grandeza e a essência do Inter.
E para que possamos sempre contar a história do Sport Club Internacional, pedimos e convocamos todos a contarem a sua história COLORADA. Junte-se a nós fortalecendo a trajetória grandiosa do Inter, traga suas memórias documentais e mostre como é a grande e inabalável essa paixão pelo seu clube de coração.

Rafael Gus divide conosco esta memória colorada através do envio de um breve relato da vida de seu avô e imagens da carteira com data de 1943, sendo o sócio juvenil de número 60, e recibos de pagamento da mensalidade.
Pedro faleceu no dia 06/06/2021 com 89 anos, mas deixou viva a paixão pelo Inter através de sua família.


"Pedro Gus nasceu na capital, no dia 14 de agosto de 1931, sendo o segundo filho do casal judeu Fani e Gregório Gus. Casou-se com Matilde Groisman Gus, com quem teve três filhos, Diarna, Márcio e Jairo Gus.
Formado pela Faculdade de Medicina da UFRGS em 1955, iniciou suas atividades profissionais como médico concursado socorrista no Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre (HPS). De 1956 a 1969, trabalhou nessa instituição, ocupando diversas outras funções, como cirurgião, chefe do Setor de Cirurgia, da Seção de Clínicas Especializadas e da Seção de Cirurgia e Traumatologia. Durante todo esse tempo, no entanto, nunca deixou de realizar plantões em cirurgia.
A trajetória de Pedro na Faculdade de Medicina é longa e repleta de reconhecimento por todas as ações feitas em busca de melhorias para a qualidade da educação e da infraestrutura. Ele foi professor titular de cirurgia, vice-diretor e, posteriormente, diretor da Faculdade de Medicina, entre 1997 e 2001. No Hospital de Clínicas, foi vice-presidente médico.
Pedro foi Secretário Municipal de Saúde de Porto Alegre no período de 2005 a 2007. Em reconhecimento à sua competência e empenho, recebeu da Câmara Municipal, em 2015, o título de Cidadão Emérito de Porto Alegre, em virtude de todos os avanços que realizou no sistema de saúde da cidade."

Rafael Coimbra Gus.

É extremamente importante para nós, do Arquivo Histórico, conhecer um pouco dessas pessoas que fizeram parte da história do clube,. Resgatar essas memórias é um dos objetivos do Projeto Preservando Tesouros Colorados, que visa ampliar o acervo documental sobre a história do Sport Club Internacional.

domingo, 4 de abril de 2021

Colorado, sinta-se em casa

Mensurar a grandeza e a força de uma instituição requer compreender o papel dessa instituição no contexto social em que ela se encontra.
Ao saudar 112 anos de vida do Sport Club Internacional, saudamos todos os feitos que faz esse Clube ser o Gigante que é. O INTER é um clube para além dos títulos regionais, nacionais, continentais e mundiais...e estamos olhando para certames futebolísticos somente.

Nesses 112 anos o SCI foi destaque em gestão administrativa (quando cuidava dos atletas antes mesmo do profissionalismo do esporte) e foi destaque em pódios de múltiplos esportes. Desde corrida de fundo a arremesso de pelota e dardo, no atletismo feminino e masculino, ou da prática do xadrez, do boxe, do karatê, do taekwondo, do judô, do basquetebol, do tênis, do handebol, do futebol de mesa, do futebol de salão e do futebol de campo, a dedicação e a entrega desportiva sempre foram marcas determinantes no Internacional. E este engajamento fez o INTER ser o INTER que é hoje.

Outra característica que sempre fez a diferença na história do Internacional é que ele sempre foi lume em práticas sociais. Desde sua origem o INTER congrega  em sua grandeza o acolhimento social sem distinção de raça, riquezas, credos, gêneros...desde sua origem todos estavam convidados a serem parte de uma associação desportiva do povo.  Do povo de Porto Alegre (1909) e de todos os lugares, nos dias atuais e para sempre.

1909, Porto Alegre se iluminava com os bairros que já dispunham de energia elétrica, a cidade festejava o cinema com o Cine Recreio Ideal, o bond elétrico circulava pela cidade, cafés e confeitarias eram os “points” mais requisitados, as sociedades de bailes Esmeralda e Venezianos proporcionavam momentos de dançantes alegrias à população. Porto Alegre desabrochava para o século XX  e seus poucos mais de 120 mil habitantes conviviam com uma economia que contava com pouco menos de 2.500 lojas, 154 fábricas e 149 oficinas. A cidade crescia e a população buscava encontrar seu espaço no contexto social. 

Parabéns Colorados!!! 

Parabéns INTER!!!!!

Ana Maria Froner Bicca 
Bibliotecária do SCI –CRB10-1310

Fontes:
Acervo do Arquivo Histórico e Biblioteca Zeferino Brazil – SCI
Acervo do Arquivo Histórico Municipal Moysés Vellinho - Poa
Google.com/Maps


segunda-feira, 8 de março de 2021

Mulher colorada!

 
⚽Te acompanho desde teu nascimento. Te vi crescer e zelo por ti desde menino ( em 1918 o SCI teve sua primeira associada).
Cerzi teu pavilhão, bordei teu distintivo... preparei o alimento de muitos planteis.
Estive junto a ti em cada dia de tua existência e na natureza de tua essência, Acolhimento, está contida a energia que explica muito de minha força: Amor e Garra.
Tu sabes que eu estarei contigo por todo o correr dos anos, que te levarei comigo além de qualquer plaga distante, que honrarei e construirei contigo muitos feitos relevantes!
Pois eu sou a Mulher Colorada! A força motriz sustento de tudo. Meu sangue é vermelho, minha alma é vermelha e meus sonhos contigo componho Clube do Povo do Rio Grande do Sul!

Feliz dia Internacional da Mulher à todas as mulheres, em especial às Coloradas!!! 🥰❤

Texto: Ana Maria Bicca
Fonte: Arquivo Histórico SCI/ Biblioteca Zeferino Brazil
Insta: @arquivohistoricosci

segunda-feira, 1 de março de 2021

Biblioteca Zeferino Brazil: do Príncipe dos Poetas Gaúchos à alma do povo brasileiro

Em 2020, o poeta que dá nome para a única Biblioteca de iniciativa privada e de utilidade pública em um Clube de Futebol no Brasil, completou 150 anos. O Sport Club Internacional, ao valorar sua essência, sendo sem dúvidas o Clube do Povo, fundou em 1944 a Biblioteca Zeferino Brazil.
Na intenção de lembrar e ressaltar a importância da obra deste gaúcho, compartilhamos com todos vocês o magnífico trabalho de Fábio Roberto Ferreira Barreto, mestrando da USP e professor na cidade de São Paulo, que ao render homenagens ao “príncipe dos poetas gaúchos” nos presenteia com o lume da excelente obra de Zeferino Brazil.
Vovó Musa - editado em 1903 

Para ler o artigo do Fábio acesse aqui. 
Artigo de Fábio Barreto no Correio do Povo
A Biblioteca Zeferino Brazil possui um excelente acervo do escritor e coloca a disposição de todos a possibilidade de pesquisa e leitura.
 Alma Gaúcha – editado pela FECI em 1976 

Referência: Acervo da Biblioteca Zeferino Brazil/
texto bibliotecária Ana Bicca e artigo compartilhado por Fábio R. Ferreira Barreto


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Valdomiro Vaz Franco

Valdomiro Vaz Franco é o jogador com maior número de partidas pelo Sport Club Internacional, além de ser o único jogador a conquistar o octacampeonato gaúcho. Natural de Criciúma, Valdomiro nasceu em 17 de fevereiro de 1946 e iniciou a carreira no Comerciário, Clube de sua cidade natal. Chegou ao Inter em 1967, aos 21 anos, e fez história em sua trajetória pelo Clube do Povo. Abaixo suas fichas no Sport Club Internacional e na Federação Gaúcha de Futebol:

Fonte: Arquivo Histórico/Departamento de Futebol SCI

Fonte: Arquivo Histórico/Departamento de Futebol SCI

Fonte: Arquivo Histórico/Departamento de Futebol SCI

Mesmo com algumas dúvidas por parte da torcida, Valdomiro mostrou sua técnica e comprometimento com o Inter logo no início. O ponta direita foi fundamental nas conquistas do Sport Club Internacional na década de 70, tendo participação ativa nos gols que renderam as conquistas dos Campeonatos Brasileiros de 1975 e 1976.  
Fonte: Sport Club Internacional

Fonte: Sport Club Internacional

Valdomiro jogou pelo Inter até 1980, passando então a atuar pela equipe colombiana Millionarios. Regressou ao Clube em 1982, onde encerrou sua carreira, aos 36 anos. Suas conquistas pelo Inter foram as seguintes: Campeonato Gaúcho (1969, 1970, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975, 1976, 1978, 1982) e Campeonato Brasileiro (1975, 1976 e 1979). 

Fonte: Sport Club Internacional

Valdomiro também marcou sua presença atuando pela Seleção Brasileira. Na Copa de 1974 marcou o gol que foi responsável pela classificação da Seleção para a segunda fase da competição, na vitória de 3 x 0 sobre o Zaire. O Brasil precisava vencer por três gols de diferença para seguir adiante, e o gol só saiu aos 34 minutos do segundo tempo, em um chute sem ângulo de Valdomiro, que contou com a ajuda de uma falha do goleiro do Zaire. Para saber mais sobre esse talentoso atleta, clique aqui.

Fonte: Sport Club Internacional

Texto/Colaboração:
Aline Duarte/Fagner Dornelles de Souza 
Equipe de Pesquisa Histórica Museu do Sport Club Internacional Ruy Tedesco
Fontes:
Acervo /Arquivo Histórico SCI/Biblioteca Zeferino Brazil/Sport Club Internacional

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Curiosidades do Campeonato Brasileiro

Revista Placar Ed. 181 - Agosto/1973
Se engana quem pensa que disputar o Campeonato Brasileiro no auge do verão é novidade; o Sport Club Internacional já tem em seu histórico vários Brasileiros disputados no início do ano.
Em 1974 o Internacional teve seu primeiro jogo do ano justamente disputando o brasileiro de 1973, que só acabou em 20/02 para o nosso SCI. Por falar em Campeonato Brasileiro de 1973, este campeonato contou na época com 40 clubes disputando o torneio e no total foram disputadas 656 partidas e o Internacional ficou em 4º lugar nessa longa disputa.
E entre o calor da temporada de verão do território brasileiro e o calor dos estádios repletos de torcedores, o Campeonato Brasileiro também foi disputado no início de janeiro nos anos de 1981, 1982, 1983, 1984 e 1985.
Lá em 1987 o Internacional jogou a sua última partida pelo brasileiro de 86 em 28/01, contra o Sobradinho, ganhando de 03 a 0 no Estádio Pelezão (demolido em 2009). Em 1989 o Campeonato Brasileiro de 88 avançou até 21/02, onde o Inter enfrentou o Bahia.
Os últimos anos em que vimos o Campeonato Brasileiro começar no escaldante janeiro foi em 1991 e 1992. De lá para cá a CBF aprimorou seu planejamento desportivo e o campeonato foi organizado de forma diferente.
2020 foi um ano ímpar para todos ( e valha aqui o trocadilho de ser ano par...pois com certeza foi um ano sui generis), a pandemia assolou e assola toda a sociedade e ainda bem que temos o futebol para alegrar nossas tardes e noites de confinamento.
Janeiro de 2021, o Internacional no momento ocupa o segundo lugar na tabela do Brasileirão e disputará até o último momento o lugar mais alto no pódio do Futebol Brasileiro.

Sigamos as rodadas. Dale INTER!!!!

Fontes: 
Acervo /Arquivo Histórico SCI/Biblioteca Zeferino Brazil/Sport Club Internacional
Tabela de Jogos do SCI e Acervo da Biblioteca Zeferino Brazil
Revista Placar Ed. 181 - Agosto/1973 -  Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Memórias coloradas: Enio Berwanger

Enio registrando a inauguração do Beira Rio 

Enio Berwanger foi um dos quatro apresentadores do Correspondente Renner, que esteve no ar de 1964 a 2010 na rádio Guaíba. O programa de notícias foi apresentado também por Ronald Pinto, Jorge Alberto Mendes Ribeiro e Milton Ferretti Jung. 
Enio iniciou como locutor no final da década de 1940 em Vacaria, utilizando um sistema de alto-falantes, onde teve as primeiras lições sobre transmissão radiofônica. Tão logo se mudou para Porto Alegre, começou a trabalhar na recém-fundada Rádio Guaíba, por onde permaneceu por 27 anos. Na sua carreira foi locutor, mas chegou aos 80 anos como diretor comercial dos veículos eletrônicos da Caldas Júnior e em 1993 ocupou a vice-presidência da Rede Pampa. 
Enio foi também sócio colorado e guardava com carinho lembranças do seu time do coração. O material foi enviado pela neta de Enio, Joana Berwanger, por e-mail e que nos autorizou publicar para compartilhar com os colorados estes objetos guardados pela família.
Postal do time Benfica e no verso autógrafos dos jogadores

Credencial de acesso

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Colaboração jornalista Ernani Campelo
Fonte: Acervo /Arquivo Histórico SCI/Biblioteca Zeferino Brazil/Sport Club Internacional 
Arquivo pessoal família Berwanger,