Glória do desporto nacional!

Oh, Internacional

Que eu vivo a exaltar

Levas a plagas distantes

Feitos relevantes

Vives a brilhar

Correm os anos, surge o amanhã

Radioso de luz, varonil

Segue a tua senda de vitórias

Colorado das glórias

Orgulho do Brasil

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Ata de 31/01/1929 - nasce o Conselho Deliberativo


Ata de 31/01/1929 - Abertura da reunião
⚽Ildo Meneghetti sempre esteve intimamente ligado ao Sport Club Internacional. Verdade é que após retornar a Porto Alegre, em 1922, voltou a ativa em sua trajetória Colorada estando junto ao clube em todas as partidas do time.
Em 1929 junto com Briareu Centeno é eleito para presidir o Internacional. E como herança, essa dupla de colorados teve que assumir um clube endividado, sem crédito e sem campo. Pois a Chácara dos Eucaliptos havia sido vendida e o Inter tinha prazo para desocupar a área. Poderia ser o fim do Sport Club Internacional. Mas essa dupla gigante da história colorada ao assumir o clube trouxe a solução através de atitudes organizacionais.
A organização administrativa que ocorreu no Inter foi o que salvou a instituição elevando-a a um novo patamar. A partir dela o Sport Club Internacional cresceu, adquiriu sede própria e se projetou para está infinita grandeza e potência esportiva que é nos dias atuais.
Ildo Meneghetti e Briareu Centeno, homens de visão e de um coloradismo basilar para a grandeza do Inter.
Texto: Ana Maria Froner Bicca- Bibliotecária do SCI

📜Em assembleia extraordinária é apresentado o novo estatuto do clube com novas diretrizes e a criação  do Conselho Deliberativo.
Fizemos alguns recortes de alguns trechos da Ata para ilustrar este momento importante.
✤Artº 92º - A Directoria fica autorisada a adquirir material desportivo para revendel-o aos socios, facilitando assim, a acqui, digo, facilitando assim, a sua acquisição por parte dos mesmos.
✤Artº 93º - A Directoria tomará todas as medidas necessárias, dentro dos deveres estatuidos, para o desenvolvimento e approveitamento dos “Infantis”, ficando para isso autorisada pelo presente artº.
obs.: Foi mantida a grafia da época:

Assinatura do presidente Ildo Meneghetti
Fonte: 
Acervo /Arquivo Histórico SCI/Biblioteca Zeferino Brazil/Sport Club Internacional
Na Sombra dos Eucaliptos - Carlos Lopes dos Santos - Acervo da Biblioteca Zeferino Brazil/FECI

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Taça Brasil de 1962 - 60 anos da primeira participação em torneio nacional

Inter x Botafogo (Foto colorida pelo blog 1909 em Cores)
País de dimensões continentais que é, por muito tempo o Brasil teve na sua geografia um impeditivo para a completa nacionalização do futebol. Manter uma competição regular, a ser disputada por equipes de todas as regiões tupiniquins, em uma nação de tantas faces distintas e isoladas uma das outras como a nossa, carente de malha ferroviária capaz de conectar seus mais de 8 milhões de quilômetros de território, e sede de urbanização extremamente deficiente e desigual; soava como uma utopia.
À exceção de esporádicos esforços da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), realizados especialmente nos anos 20, além de eventuais excursões para participação em torneios amistosos; o calendário dos clubes brasilianos se limitava aos muito prestigiados campeonatos estaduais. O cenário só foi alterado no final da década de 50, a partir do anúncio, por parte da Conmebol, da realização da primeira Copa dos Campeões da América, atual Libertadores, para o ano de 1960.
Visando a não ser ignorada do maior campeonato de clubes do continente, a CBD precisou organizar um certame de extensão nacional, cujo vencedor seria o representante brasileiro na copa que surgia. A primeira edição do torneio, nomeado Taça Brasil, aconteceu em 1959, e foi disputada pelos principais campeões estaduais do país.

Matéria da Revista do Globo repercutiu excursão do Santos por Porto Alegre, em 1935.
Na foto, Arthur Friedenreich e Risada.
Após conquistar quatro títulos gaúchos nos cinco primeiros anos da década de 50, o Clube do Povo passou por infeliz jejum até 1961, quando voltou a levantar a taça de dono do Rio Grande. Consagrado campeão, o Inter se classificou para a disputa da Taça Brasil de 1962, naquela que seria a quarta edição do certame nacional. A equipe base da vitoriosa campanha colorada, comandada pelo técnico Sérgio Moacir Torres, foi a seguinte: Silveira, Zangão, Ari, Kim e Ezequiel; Sérgio Lopes e Osvaldinho; Sapiranga, Alfeu, Flávio e Gilberto.

Elenco campeão gaúcho em 1961 
Fonte: Biblioteca Zeferino BrazilFECI

A primeira fase da Taça Brasil era disputada em grupos, que correspondiam às diferentes regiões do país. Integrando o chaveamento da Zona Sul brasileira, o Inter teve como seu primeiro adversário os campeões catarinenses do Metropol. Em relação aos onze jogadores que se eternizaram como titulares na conquista do campeonato estadual da temporada anterior, a grande mudança no escrete vermelho estava no gol, com Gainete assumindo a posição anteriormente ocupada por Silveira. A outra novidade colorada estava na casamata, onde Pedro Figueiró aparecia como treinador.
A estreia colorada em campeonatos nacionais oficiais aconteceu em um sábado, dia 22 de setembro. Sofrendo com as ausências de Zangão, Sapiranga e Gilberto, os três lesionados, o Clube do Povo demorou para se encontrar em campo - e pagou caro por isso. Recompensando início fulminante do Metropol, logo aos seis minutos de jogo Elário marcou aquele que foi o único gol da primeira etapa.
Precisando compensar o tempo perdido, o Colorado voltou do intervalo em ritmo intenso, que não demorou para se refletir em bolas na rede: aos dois minutos, Tite empatou, aos catorze, Alfeu virou, e, aos dezesseis, Flávio, futuro Minuano, anotou o terceiro. O Metropol ainda descontou com Hamilton, mas não conseguiu impedir a vitória vermelha, que poderia ter sido maior, não fossem os erros da arbitragem, que anulou gol de Flávio e ignorou pênalti claríssimo sofrido por Alfeu.
Registro de Flávio junto a Federação Gaúcha no ano de 1963. Com o apelido de Minuano,
o centroavante seria artilheiro na conquista do Brasileirão de 1975.
Fonte: Arquivo Histórico SCI
Passados três dias, o Estádio dos Eucaliptos recebeu a partida de volta. Demonstrando a mesma imposição vista no segundo tempo do primeiro jogo, o Inter se postou no ataque, e abriu o placar logo cedo, aos cinco minutos, com Alfeu. Pouco depois, Bedeuzinho ampliou, praticamente garantindo a classificação colorada, que, apesar do susto passado com os dois gols de Valmir na segunda etapa; foi garantida com o tento decisivo de Flávio, a quinze minutos do apito decisivo.
Com os dois triunfos, o Inter avançou para a decisão do grupo sul, a ser disputada contra o Cruzeiro, atual tricampeão mineiro. A partida de ida, realizada em Minas Gerais, teve como escore final o 1 a 1. Norival, aos 27 minutos, abriu o placar para os mandantes, enquanto Alfeu, aos 40, empatou para o Colorado.
Cercado de expectativa, o confronto de volta foi disputado no Olímpico, então maior estádio de Porto Alegre. O tempo instável daquela quarta-feira 17 de outubro, todavia, desmotivou o público, que compareceu em pequeno número. Para além do borderô, a chuva também afetou a qualidade do jogo, castigado pelo estado precário do gramado.
Ignorando o clima, o Inter soube fazer o dever de casa, e venceu a partida por 2 a 1, com gols de Alfeu e Mauro. Classificada, a equipe vermelha seguiu para as semifinais da Taça. Nesta fase, teria que viajar ao Rio de Janeiro, onde no dia 21 de novembro enfrentaria o Botafogo e sua constelação de craques, no primeiro confronto do embate que definiria um dos finalistas do campeonato.
Enquanto o Inter se preparava para a partida do Maracanã, o mundo temia a deflagração de uma Guerra Nuclear entre os Estados Unidos e a União Soviética, o que quase aconteceu em outubro, durante a famosa Crise dos Mísseis Cubanos. Os tensionamentos entre as duas potências se desdobravam na política brasileira, imersa nos debates quanto à realização de um plebiscito que decidiria por um regime político entre parlamentarismo e presidencialismo.
Tamanho estresse era aliviado nas mesas de bar que ainda comemoravam a conquista do bicampeonato mundial, ocorrida em junho daquele ano. Na ocasião, após perder Pelé na segunda partida da fase de grupos, a Seleção Brasileira contou com a inspiração do craque Garrincha para vencer a Copa do Mundo do Chile. Nilton Santos, a ‘enciclopédia do futebol’, considerado o melhor lateral-esquerdo de todos os tempos; Zagallo, ponteiro de fundamental função tática no revolucionário 4-3-3 canarinho; Didi, o ‘folha-seca’, maestro de qualquer meia cancha que ocupasse; e Amarildo, o Possesso, substituto de Pelé, que marcou três gols na vitoriosa campanha, um deles na final, empatando o jogo contra a Tchecoslováquia, em duelo no qual também deu magnífica assistência para o tento da virada, marcado por Zito; foram outros nomes protagonistas no título canarinho. Todos estes, ressalta-se, jogadores do Botafogo de Futebol e Regatas.

Garrincha  craque do Brasil, jogava no Botafogo em 1962

O epopeico embate que se avizinhava era aguardado com grande expectativa pelo Clube do Povo. Não pelo gigantismo do adversário em si, uma vez que, no que se referia a expressividade, o Inter também ostentava rica biografia ao longo de suas cinco décadas de vida; mas sim pela possibilidade de eliminar um grande oponente e atingir uma inédita final de campeonato nacional. Caso a classificação não fosse conquistada, a torcida esperava, pelo menos, não repetir o atropelo que fora o confronto entre Grêmio e Santos, na mesma fase da Taça, em 1959, quando o time de Pelé aplicou sonoros 4 a 1 no clube portoalegrense.
Sabedor de que estar entre as quatro melhores equipes do país era um grande feito para o jovem elenco do Inter, cuja média de idade não passava dos 20 anos, Pedro Figueiró esbanjava otimismo e ambição na véspera da primeira partida, quando declarou à imprensa que o Clube do Povo tinha o direito de se sentir favorito por conta da vontade que seus habilidosos jogadores vinham mostrando dentro de campo. Contrastando com a simpatia do comandante vermelho, a opinião pública tratava o confronto de maneira análoga ao histórico embate entre Davi e Golias, demonstrando respeito às muitas estrelas que compunham o elenco do clube da estrela solitária.
Charge do cartunista Sampaulo retratava o tamanho do desafio colorado
Mais uma vez, o mau tempo apareceu na campanha colorada, obrigando o primeiro jogo a ter seu início adiado em quase uma hora. Quando finalmente subiu ao gramado do Maracanã, a equipe gaúcha estava escalada com Gainete no gol; Zangão, Ari, Cláudio e Ezequiel na defesa; Kim e Osvaldinho no meio de campo; além de Sapiranga, Alfeu, Flávio e Gilberto na frente. Os mandantes, por sua vez, apostaram no seguintes onze iniciais: Manga; Joel, Zé Maria, Nilton Santos e Rildo; Airton e Arlindo; Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagallo. Excetuando-se Didi, que logo depois da disputa da Copa do Mundo se transferiu para o Peru, onde simultaneamente treinou e atuou pelo Sporting Cristal; todos os grandes nomes alvinegros na caminhada do bicampeonato mundial brasileiro estavam em campo.
Contrastando com a demora anterior ao soar do apito inicial, o marcador foi inaugurado logo nos segundos iniciais da partida, graças a Amarildo. Na sequência, aos 38 minutos da primeira etapa, o Possesso marcou o seu segundo gol na noite, garantindo ao Botafogo maior vantagem para o intervalo.
Reiniciado o jogo, o que se viu foi um cenário ainda melhor para os mandantes após a lesão de Kim. Como o regulamento da competição permitia apenas uma substituição, que deveria acontecer antes do segundo tempo, o técnico Pedro Figueiró não teve alternativa senão recuar Gilberto para a região central, deslocando o lesionado defensor para a linha de ataque. Não bastasse a qualidade técnica do adversário, agora o Clube do Povo precisaria passar por cima de adversidades oriundas do seu próprio elenco para reverter o cenário negativo que se apresentava. Nem o mais otimista colorado poderia imaginar, porém, o tamanho da reação que estava por vir. Aos 30 minutos do segundo tempo, Alfeu descontou para o Inter. Seis minutos depois, Sapiranga, o Diabo Loiro, empatou. Antes do último apito, Garrincha ainda marcou para os cariocas, mas teve seu tento corretamente anulado pelo árbitro Ricardo Alberto Silva. Terminado o jogo, o Clube do Povo pôde se dar por satisfeito com o resultado, que garantia a decisão da vaga para a semana seguinte, em Porto Alegre. Os jornais gaúchos trataram a atuação colorada como uma das maiores da história do futebol riograndense, destacando a estupenda garra dos atletas.

Sapiranga, o ‘Diabo Loiro’, foi ídolo da torcida colorada em uma época de vacas magras.
Diante da limitada capacidade do já veterano Estádio dos Eucaliptos, mais uma vez o Olímpico foi escolhido como sede para a partida de volta. No dia 27 de novembro, véspera do jogo, a imprensa de Porto Alegre anunciava a recordista quarta-feira que estava por chegar. Toda expectativa foi confirmada na noite do confronto, quando mais de 30 mil pessoas estabeleceram novos recordes de público e renda para a capital gaúcha.
De fato, aquele se tratava de um duelo marcado por números. Enquanto o Botafogo anunciava que, em caso de vitória, pagaria a cada um de seus atletas ‘bicho’ de 100 mil cruzeiros, o Inter prometia 40 mil por jogador, até então o maior valor já visto no estado. Não bastaria, no entanto, ser superior ao adversário na busca pela classificação. A equipe vencedora precisaria também passar por cima das elevadas temperaturas que, apesar do horário tardio da partida - os times entraram em campo depois das 21h - não baixaram da casa dos 30º.
Dentro de campo, a exemplo do que ocorrera no Maracanã, o que se viu foi uma partida intensa desde o primeiro instante, disputada em nível inclusive superior àquele visto no primeiro confronto, uma vez que o clima seco, sem chuvas, garantiu que o gramado estivesse nas melhores condições possíveis. O roteiro, diga-se, também foi bastante parecido ao da semana anterior, talvez por conta das quase idênticas escalações. Enquanto o Inter foi a campo com os mesmos jogadores que haviam iniciado o jogo no Rio, o Botafogo promoveu uma única alteração, com a entrada de Jadir no lugar de Zé Maria.
Aos 37 minutos de jogo, Quarentinha, completando cruzamento de Garrincha, abriu o placar para os cariocas. Cinco minutos depois, Mané cobrou escanteio que Ezequiel afastou mal, na direção de Gainete, que não conseguiu defender. Novamente, o Botafogo descia para os vestiários com o 2 a 0 no placar. Cabia ao Inter contrariar o clichê, mostrando que um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar, assim evitando uma eliminação que parecia encaminhada.

Iniciada a segunda etapa, no lugar de um raio, quem decidiu roubar a cena foi Osvaldinho. Conduzindo o Clube do Povo ao ataque, o craque vermelho deu início ao duelo mais interessante da noite, contra o goleiro Manga. Neste confronto particular, o arqueiro chegou a defender pênalti cobrado pelo ídolo do Inter, aos 25 minutos. No mesmo lance, entretanto, o rebote voltou para os pés do meio-campista colorado, que finalmente conseguiu descontar.
Conforme a partida se encaminhava para os seus minutos derradeiros, o Clube do Povo abandonou qualquer organização tática, passando a buscar o gol salvador na base da vontade e imposição. Desta forma, chegou ao empate aos 40 minutos da segunda etapa, após finalização de Bedeuzinho, que contou com desvio em Alfeu para confundir Manga, e morrer no fundo das redes do futuro ídolo colorado. Neste instante, o Olímpico explodiu, em festa que se estendeu para para além do apito final, quando uma multidão invadiu o campo. Com o novo 2 a 2, a decisão do finalista ficou para um terceiro confronto, a ser realizado dentro de dois dias, novamente no Olímpico.

Osvaldinho, craque colorado, viveu noite especial, em que conseguiu ofuscar até Garrincha.

O terceiro e último duelo entre os campeões carioca e gaúcho teve final lamentado pela torcida colorada. Contando com grande atuação da dupla Quarentinha e Garrincha, e, principalmente, magistral exibição de Manga, o Botafogo bateu o Inter por 2 a 0. O Clube do Povo deixou o campo aplaudido, em reconhecimento a todo o esforço e brio apresentados pelos atletas ao longo das três partidas e, principalmente, da competição. Para o classificado Botafogo, a vitória também serviu para garantir vaga na Libertadores do próximo ano, uma vez que o adversário na final da Taça, o Santos, já estava garantido no certame continental como atual campeão da América.

Goleiro Manga que em 1962 jogava pelo Botafogo
O primeiro confronto da decisão, disputado no Pacaembu e vencido pelo Santos pelo placar de 4 a 3, entrou para a história como uma das maiores partidas de futebol no Século XX. No jogo de volta, mais de 100 mil pessoas assistiram ao triunfo carioca, pelo placar de 3 a 1. A melhor de três foi encerrada no Rio de Janeiro. Desta vez, vitória santista, 5 a 0.
Era então consagrado o pódio da Taça de 1962: em primeiro lugar, o Santos, de Pelé. Em segundo, o Botafogo, de Garrincha. Na sequencia, em terceiro, o Inter, do povo. Povo este que, é bem verdade, na ocasião não conseguiu conquistar o Brasil, mas que cada vez mais fincava sua bandeira além do Mampituba. Em 1967, por exemplo, graças ao faro artilheiro de Lambari, viria a primeira vitória gaúcha em terras paulistas, e o vice-campeonato nacional, feito repetido em 1968.
Assim, se não foram repletos de grandes conquistas como os seus predecessores, os anos 60 plantaram na Maior e Melhor Torcida do Rio Grande a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, o Brasil seria vermelho. Antes disso, contudo, foi necessário construir um Gigante com as próprias mãos, partindo das águas um rio. No momento em que ele se levantou, majestoso, o povo pôde se dedicar aos acabamentos que restavam. Foi então que, primeiro com uma, depois duas, e finalmente três mãos de tinta rubra; decorou, na década de 70, o país inteiro ao seu gosto.

Fontes:
Matéria de Pedro Pacheco, originalmente publicada em https://legado.internacional.com.br/home#relembre-a-campanha-colorada-em-seu-primeiro-torneio-nacional-a-taca-brasil-de-1962

Acervo /Arquivo Histórico SCI/Biblioteca Zeferino Brazil/Sport Club Internacional
Revista do Globo -ed 25/05/1935
Blog1909 em Cores
https://www.cbf.com.br/futebol-brasileiro/noticias/index/garrincha-o-genio-das-pernas-tortas-foi-o-dono-do-mundo-em-1962







quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

A arte de SamPaulo

Charge de 1997 - Fonte: sampaulocartunista.blogspot.com
Na nossa última postagem colocamos em destaque a charge do SamPaulo e não demos o devido crédito, então para nos redimir e pelo grande artista que foi, hoje vamos contar um pouquinho de sua história, ele que foi um torcedor apaixonado pelo colorado.
Paulo Brasil Gomes de Sampaio, nasceu em Uruguaiana no dia 3 de maio de 1931 e faleceu em Porto Alegre em 1999.
Iniciou sua carreira em 1954 no jornal porto-alegrense "Clarim", assinando como SamPaulo. Trabalhou para revista e jornais da capital, Revista do Globo, os jornais Diário de Notícias, Folha da Tarde, Correio do Povo, Folha da Manhã e Zero Hora.
Ainda participou de programa de TV, "Sampaulo e seus bichões" na TV Piratini. Em 1966 criou um de seus personagens mais famoso, o Sofrenildo, mas antes disso, na década de 1950 representa o torcedor do Inter, seu clube do coração, o personagem, foi a marca registrada de suas charges de futebol.
Além de chargista, era cartunista e caricaturista.






1955
Fonte: futeboloutrahistoria.blogspot.com

Sofrenildo, publicação de 1966 -Diário de Notícias (Porto Alegre)
Fonte: sampaulocartunista.blogspot.com
Detalhe de página - jornal Folha da Tarde
Em maio de 2017, o acervo material contendo desenhos publicados ao longo da carreira, livros de referências visuais, fotos e documentos pessoais foi doado para o Delfos - Espaço de Documentação e Memória Cultural da PUCRS onde é possível pesquisar desenhos originais, recortes de jornais, manuscritos e livros.
Sua história pode também ser vista no blog http://sampaulocartunista.blogspot.com/ O blog tem muitas charges e é mantido carinhosamente por sua sobrinha Maria Lucia Pereira de Sampaio, filha do seu irmão, o também cartunista Sampaio.
publicação de 13/03/1993
Fonte: sampaulocartunista.blogspot.com
Publicações
Individuais
  • H,U,M,O,R do 1º ao 5º. (1964). Porto Alegre, Editora Globo.
  • Como eu ia dizendo… - Coletânea de cartuns e A infância do Sofrenildo. (1990). Porto Alegre, Editora Mercado Aberto.
  • Sofrenildo: até que um dia (1998). Porto Alegre, Editora AGE.
Co-autoria
  • Os pecados da língua: pequeno repertório de grandes erros de linguagem (1999). Com Paulo Flávio Ledur. Porto Alegre, Editora AGE.
 Disponível na Biblioteca Zeferino Brazil/Sport Club Internacional
                               

Participações
  • Quatorze bis. (1976). Editora Garatuja.
  • Anedotário da Rua da Praia, Volume 3 (1983). Porto Alegre, Editora Globo.
  • Separatismo - Corta Essa. (1993). Porto Alegre, Editora L&PM.
Mais obras disponíveis na  Biblioteca Zeferino Brazil/Sport Club Internacional


















Fontes:
Acervo /Arquivo Histórico SCI/Biblioteca Zeferino Brazil/Sport Club Internacional
http://sampaulocartunista.blogspot.com/
http://futeboloutrahistoria.blogspot.com/2021/09/a-representacao-do-internacional-em.html
https://www.pucrs.br/delfos/acervos/escritores-e-jornalistas/paulo-brasil-gomes-de-sampaio/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sampaulo
Jornal Folha da Tarde - 07/04/1969

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Consciência Negra e a história do Sport Club Internacional.

📷 Livro O Gigante da Beira Rio 
 No Brasil desde a década de 1970 no mês de novembro, mais especificamente no dia 20 de novembro, é celebrado o dia da Consciência Negra, a ocasião é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A data foi escolhida por simbolizar o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, o maior líder negro do Brasil, que lutou pela libertação contra o sistema escravista.
Em síntese Consciência Negra representa a luta dos negros contra a discriminação racial e a desigualdade social, gerando por parte da pessoa negra, um sentimento identitário, o entendimento da necessidade de união de forças e estratégias junto aos seus irmãos em torno da causa de sua atuação frente ao racismo e a discriminação social vigente.
Historicamente o Sport Club Internacional é reconhecido como “O Clube do Povo”, inicialmente por seus fundadores, em 1909, serem pertencentes da camada popular da cidade de Porto Alegre, posteriormente pela integração de negros no grupo de jogadores e no quadro social do clube.
Na década de 1940 a grande série de vitórias e conquistas do “ Rolo Compressor”, time colorado formado por um número expressivo de negros, característica atípica nos clubes de futebol de maior expressão do período, contribuiu para a que a torcida e dirigentes de outros clubes, utilizassem apelidos depressiativos contra a torcida colorada. Já na década de 1950 a imagem de um menino negro tornou-se o símbolo colorado na imprensa, e com o passar dos anos a imagem do menino deu lugar a um Saci- Pererê, o qual foi adotado como mascote oficial do clube em 2016, o único mascote negro entre os grandes clubes do Brasil.
A relação entre o clube e o povo, que perpassou pelo total apoio dos torcedores colorados na construção do Estádio Beira-Rio em 1969, ganhou nova perspectiva na década de 2010, quando o atleta Rentería passou a comemorar seus gols, caracterizando-se e imitando um Saci-Pererê. 
📷 Jornal do Inter Ed. 22/2006
O gesto de Rentería, que jogou no grupo profissional multicampeão de 2005 e 2006, o aproximou do torcedor e provocou um carinho muito especial ao celebrar o gol com a simbologia do Saci, símbolo da torcida colorada enraizado nas décadas anteriores.
Na atualidade, dois atletas do elenco profissional colorado ganharam destaque ao comemorar seus gols, ambos utilizando gestos que trazem à tona a luta antirracista. O primeiro foi Patrick, que em 2018 passou a comemorar seus gols fazendo o gesto e utilizando a máscara do personagem Pantera Negra, o segundo foi Taison, jogador oriundo das categorias de base colorada que sofreu com o racismo atuando na Europa, retornou ao clube em 2021 e comemora seus gols fazendo gesto antirracista.

📷 Diego Vara/BP Filmes - Globo Esporte - 26/06/2018

📷 Site Sport Club Internacional

O racismo existente na sociedade brasileira é evidenciado constantemente nos estádios de futebol desse país, a história do Sport Club Internacional possui uma série de episódios em que o clube e sua torcida transformaram insultos racistas em símbolo de resistência. Possuir em seu elenco jogadores profissionais que possuem engajamento na luta antirracista é mais uma forma de registrar na história do clube essa assinatura. Para alguns pode ser apenas um gesto, no entanto essas atitudes contribuem de forma singular para a luta da população negra contra a discriminação racial e a desigualdade social enfrentada.
📷 Site Sport Club Internacional

Texto: Professor Vander Duarte - Arquivista, Historiador, Mestre em Patrimônio Cultural - @profvanderduarte

Fontes:
Acervo /Arquivo Histórico SCI/Biblioteca Zeferino Brazil/Sport Club Internacional
Livro O Gigante da Beira-Rio entra na Literatura - Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Centenário de Tesourinha

 

Ficha de sócio da década de 1970 - Arquivo Histórico SCI

Tesourinha, reconhecido como jogador símbolo de vitória do Inter, participou do Rolo Compressor e foi fundamental para a conquista de diversos títulos colorados.
No ano de centenário de seu nascimento, queremos homenageá-lo mostrando um pouco de sua história.
Foi ídolo, craque e torcedor colorado!⚽

Assistindo jogo em sua cadeira colorada! Arquivo Histórico/SCI

Capa Livro Tesourinha - Sérgio Endler

Detalhe de página  do Livro Tesourinha - Sérgio Endler

👀Porque Tesourinha? Nascido Osmar Fortes Barcellos, em Porto Alegre, no ano de 1921, ganhou o apelido de Tesourinha em decorrência da sua participação no bloco de carnaval Os Tesouras, fundado pelo seu padrasto. 
Tesourinha participava dos desfiles em companhia do irmão mais velho, Ademar. Ambos levavam o estandarte do bloco pelas ruas da Cidade Baixa. Ademar passou a ser conhecido como Tesoura, enquanto Osmar, por ser menor e mais novo, virou Tesourinha, que passou a ser sua identidade e como se tornaria conhecido.
Placar Edição Especial - As maiores torcidas do Brasil

👉Estreia no Inter: Foi em uma substituição no jogo  contra o Cruzeiro em 23 de outubro de 1939, no Estádio da Montanha, que aconteceu sua estreia e com vitória de 2 x 1 para o Internacional num jogo válido pelo Campeonato Metropolitano. Carlitos lesionado, dá lugar para aquele que se tornaria a grande estrela do Rolo Compressor.
No início tinha como parte do pagamento, receber diariamente dois litros de leite e um quilo de carne.
Mas nada impediu que ao lado de Carlitos, Adãozinho e Villalba, o camisa sete Colorada tenha conquistado com seu talento os títulos Estaduais de 1940 a 1945 e o Bicampeonato de 1947 e 1948. Era a época do Rolo Compressor!
Rolo compressor - Fonte: Arquivo Histórico/SCI
Vicente Rao a esquerda com grupo de meninos e Tesourinha a direita. Fonte: Álbum Vicente Rao 

✌Seleção Brasileira: Em 1944, torna-se o primeiro atleta do Sport Club Internacional (atuando pelo clube) convocado para a Seleção Brasileira, onde compôs o ataque com Zizinho, Jair, Ademir e Heleno de Freitas. Em 1949 conquista o Sul-Americano de Seleções, quando marcou sete gols e foi escolhido como o melhor do campeonato. Infelizmente não conseguiu  participar da Copa do Mundo de 1950 quando uma lesão tirou do craque a realização deste sonho.
Na seleção brasileira - Arquivo Histórico/SCI

🏆Melhoral dos Cracks: Tesourinha era ímpar em seu talento, o que só foi comprovado quando ganhou em concurso nacional realizado pelo fabricante do remédio Melhoral, no dia 15 de janeiro de 1949, o título   de 'Melhoral dos Cracks', eleito pelo voto popular
Ainda em 1949,jogou representando o Vasco da Gama, ficando com o título de Bicampeão Carioca.

💪Fazendo a diferença: Conforme conta o historiador Stephanos Demetriou Stephanou Neto "Tesourinha realizaria mais uma façanha inédita. No dia 16 de março de 1952, marca um gol na vitória do Grêmio de cinco a três contra o Juventude. 
Esta informação seria absolutamente irrelevante, não fosse pelo fato de Tesourinha ser negro. O Grêmio, através de seu presidente Saturnino Vanzeloti, vencia o preconceito e, rompendo com disposição contida no estatuto do clube, contratava Tesourinha para vestir a camisa Tricolor.
A contratação de Tesourinha foi tão polêmica que obrigou a diretoria do Grêmio a publicar nota oficial do clube na imprensa, que destaco parcialmente:
A Diretoria do Grêmio P. A. vem trazer a conhecimento de seus associados e simpatizantes que, por decisão unânime, resolveu tornar insubsistente a norma que vinha sendo seguida de não incluir atleta de cor em sua representação de futebol. O uso que se formou, a tradição que se consolidou não podem mais prevalecer na época atual, onde um profissionalismo absoluto está a exigir sempre as mais decididas medidas para garantir da sobrevivência das agremiações. Seguimos, com a orientação que tomamos, a exemplo das mais gloriosas e tradicionais agremiações do Brasil e do Continente."

Fim de jogo: Após brilhante jornada como esportista, encerrou sua carreira em 1957, jogando pelo clube Nacional de Porto Alegre.
😥Em 1979, aos 57 anos, é vitimado por um câncer no estômago e vem a falecer.


Ficha técnica:

Posição: Atacante
Data de Nascimento: 03/10/1921
Naturalidade: Porto Alegre (RS)

Carreira:
Internacional: 1939 – 1949
Vasco: 1949 – 1952
Grêmio: 1952 – 1955
Nacional (RS): 1955 – 1957

Títulos:
Campeonato Gaúcho – 1940 – Internacional
Campeonato Gaúcho – 1941 – Internacional
Campeonato Gaúcho – 1942 – Internacional
Campeonato Gaúcho – 1943 – Internacional
Campeonato Gaúcho – 1944 – Internacional
Campeonato Gaúcho – 1945 – Internacional
Campeonato Gaúcho – 1947 – Internacional
Campeonato Gaúcho – 1948 – Internacional
Campeonato Sul-Americano de seleções – 1949 – Brasil
Campeonato Carioca – 1950 – Vasco

Fonte: https://www.internacional.com.br/idolos/tesourinha

Assista o documentário do jornalista Ernani Campelo:


Fontes: 
 - publicação post: http://memoriadointer.blogspot.com/2015/04/tesourinha-o-melhoral-dos-cracks.html (texto Stephanos Demetriou Stephanou Neto, historiador.)
- Acervo /Arquivo Histórico SCI/Biblioteca Zeferino Brazil/Sport Club Internacional
- Placar Edição Especial - As maiores torcidas do Brasil
- Livro Tesourinha - Sérgio Endler - 2ª edição - edição Tchê/RBS

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Uma Paixão Vermelha e Branca – Parte II

Quando escrevi para o livro ‘’Colorados – Nada Vai nos Separar ‘’ eu não fazia ideia de onde o amor pelo Inter poderia me levar ou de quanta força eu teria para chegar onde estou hoje. Só sei que eu consegui realizar muito além do meu sonho da época que era morar perto do Beira Rio e poder ir aos jogos torcer de perto pelo Inter.
Dois anos depois da publicação da minha história no livro eu já me encontrava morando em Porto Alegre e começando minha trajetória como colaboradora do Sport Club Internacional. Aconteceu tudo muito rápido, graças a Deus tive o privilégio de conhecer pessoas que me ajudaram ao longo da minha vida e contribuíram para que tudo isso fosse possível. Mesmo morando longe da minha família e não conhecendo nada na cidade eu segui firme e consegui viver esse sonho de estar perto do meu clube do coração.
Hoje entendo que eu precisava estar onde estou, precisava da força dessa paixão pelo Inter para superar muitas coisas que vieram a acontecer um tempo depois na minha vida.
De torcer de longe, acompanhar a rotina do clube apenas por notícias na TV, rádios e internet à poder estar dentro do Beira Rio todos os dias há 7 anos, em todos os jogos, e acompanhar o dia a dia do clube contribuindo não apenas como torcedora, mas também como funcionária, isso é muito gratificante e sou realizada por ter esse privilégio que muitos colorados e coloradas gostariam de ter: de estar tão perto do Inter. Hoje posso dizer que o Beira Rio é sem dúvidas minha segunda casa. Que fui acolhida desde meu primeiro dia em Porto Alegre e que isso me fez tão bem mesmo morando longe da minha família, da qual sempre fui muito próxima.
Uma das minhas lembranças de quando comecei a entender o futebol e escolher o Inter como meu time, eram os recortes de jornais com fotos e notícias com os quais fiz um mural no meu quarto enaltecendo o Inter. Colecionei revistas, guardei posters, levava para casa os jornais de quando eu vinha nos jogos e guardava todos com muito carinho. Parecia que eu previa o que eu faria no futuro. Que seria trabalhar no Arquivo do Sport Club Internacional. (Tudo que vivi até aqui) me faz acreditar ainda mais que deu tudo certo, que era para acontecer, que o sonho e a identificação com um clube é muito forte e pode ajudar muito uma pessoa. Que o futebol é muito mais que futebol.






Este foi um breve relato da minha história com o Inter, convido a todos os colorados que tiverem interesse em compartilhar suas histórias, a entrarem em contato conosco por e-mail e escreverem para nosso blog: arquivohistorico@internacional.com.br

Fonte:
Colorados Nada Vai nos Separar - organização Jana Lauxen - Editora Multifoco - Rio de Janeiro/2012





terça-feira, 24 de agosto de 2021

10 anos do Bi da Recopa

O Sport Club Internacional conquistou o Bi da Recopa em 24/08/2011. Depois de reconquistar a América em 2010 o clube do Povo do Rio Grande do Sul enfrentou o Independiente (Argentina) que havia se consagrado campeão da Sul-Americana. O primeiro jogo foi no Estádio Libertadores de América em Avellaneda no dia 10/08/2011 e a volta foi em Porto Alegre, no Gigante da Beira-Rio.
Precisando reverter a vantagem do time argentino, o Inter contou com o apoio total de seus torcedores que numa atuação fantástica entraram em campo com o Colorado e marcaram junto com os craques os gols necessários para buscar o título. Leandro Damião marcou dois gols no primeiro tempo, Kleber fez de pênalti e a torcida em festa embalou o time até a vitória.
No início do dia 25, as 0h05, o capitão Bolívar levantou a taça no Beira-Rio para alegria explosiva de todos os torcedores. Sport Club Internacional um clube Campeão de todos os torneios na América e no Mundo.



        Foto Alexandre Lops

       
Ficha Técnica - Internacional 3x1 Independiente

Internacional:
Muriel, Nei, Bolívar, Índio e Kleber; Guinãzu, Elton, Andrezinho, D'Alessandro (Andrezinho, 23'/2T) e Oscar; Dellatorre (Jô, 26'/2T) e Leandro Damião. Técnico: Dorival Júnior.

Independiente:
Navarro, Tuzzio, Julián Velázquez, Gabriel Milito e Maximiliano Velázquez; Fredes (Nuñes, 41'/2T), Pellerano, Iván Pérez (Vélez, intervalo) e Ferreyra (Defederico, 41'/2T); Marco Pérez e Parra. Técnico: Antonio Mohamed.

Gols: Leandro Damião, 20'/1T (1-0) e 25'/1T (2-0); Maximiliano Velázquez, 3'/2T (2-1); Kleber, 38'2T (3-1)

Local: Beira-Rio, em Porto Alegre (RS)
Data/hora: 24/8 - 21h50 (de Brasília)
Árbitro: Jorge Larrionda (URU)
Auxiliares: Pablo Fandiño (URU) e Mauricio Espinosa (URU)
Cartões amarelos: Maximiliano Velázquez, Tuzzio, Ferreyra, Fredes (IND)


Fontes:
Acervo /Arquivo Histórico SCI/Biblioteca Zeferino Brazil/Sport Club Internacional
Revista do Inter nº 67 - Setembro/2011- Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Ana Maria Froner Bicca
Bibliotecária do SCI –CRB10-1310

Arte: Caroline de Souza Matos

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Ildo Meneghetti o *Patrono do Internacional

Em entrevista, no ano de 1974,o Sr. Meneghetti afirmava que sua função naquele momento era buscar harmonizar os ânimos sempre que lhe chamassem e apoiar as deliberações que contribuíssem para o crescimento do Internacional. Este Sr. COLORADO então com 79 anos, tinha em seu currículo a honra e o mérito de ser o patrono do Sport Club Internacional.
Porto alegrense, filho de imigrantes italianos, estudante do Ginásio Anchieta e da Escola Brasileira, em 1910 começou sua trajetória colorada ingressando no quadro social do Club na categoria de filhote. Um ano depois já era subdiretor desta categoria, dividindo com Carlos Kluwe (diretor presidente) a responsabilidade de dirigir os filhotes colorados. Segundo depoimento do patrono , sua chegada ao clube foi tentando ser jogador mas era um ¨extrema-direita¨ muito fraco e quando foi eleito subdiretor começou sua vida na administração do Inter. O SCI tinha dois anos de vida.
Ildo Meneghetti, formado em engenharia pela Faculdade de Engenharia de Porto Alegre, presidiu o SCI por sete vezes, sendo cinco delas em consecutivo. Logo ao assumir, já vivenciou problemas com a Federação Rio-Grandense de Futebol, presidida por seu amigo, o colorado Antenor Lemos (que já havia presidido o clube). O Inter rompeu com a Federação e a amizade estremeceu. As questões que se somaram na gestão de Meneghetti eram de ordem financeira e de estrutura, pois o Inter não tinha uma sede.
Ata da primeira eleição de Ildo Meneghetti como presidente em 1929

E aí se dá inicio ao legado imensurável deste Colorado. Ildo Meneghetti, com sua habilidade em lidar com as diferenças, agregou colorados com as mais diversas aspirações e os conciliou para um objetivo único e maior: o Sport Club Internacional. E de sua capacidade de lidar com as diferenças, Ildo Meneghetti conseguiu que tivesse, o Inter, sua primeira casa própria: o Estádio dos Eucaliptos.

Quando, na necessidade de se reestruturar o Eucaliptos-pós Copa de 50 - pois faltava lugares aos torcedores colorados, Ildo Meneghetti somou forças na batalha da área junto as águas do Guaíba, área que hoje tem o Gigante da Beira-Rio. Mas de 1950 até 1969, quando da inauguração do novo estádio, as batalhas foram intensas para se obter a doação da Prefeitura Municipal de Porto Alegre e o Sr. Ildo Meneghetti sempre acompanhou de perto, fazendo questão de com sua autoridade pública (foi prefeito de Porto Alegre e governador do Estado) conciliar todos os interesses em bem do povo e do Clube do Povo.
Dr. Meneghetti foi o criador do chavão GRENAL é GRENAL. Segundo ele isso respondia a qualquer questão pós GreNal e preservava a imagem do esporte. Esta elegância em educadamente exercer uma retórica mais incisiva, fez de Ildo Meneghetti um homem de união e ação pelo seu Internacional.

Estatuto de 1944

*Indivíduo notável que defende uma causa, uma entidade, uma pessoa; protetor.
Fonte: Acervo da Biblioteca Zeferino Brazil/FECI- Sport Club Internacional
Arquivo Histórico do Sport Club Internacional