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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

'Abílio dos Reis o garimpador de talentos'

Abilio dos Reis e o técnico Daltro Menezes
Abilio nasceu em 10/01/1918, filho do imigrante português, José de Oliveira Reis e de Honorina Pesca também descendente de portugueses. Seu nome foi dado em homenagem ao primeiro irmão que faleceu poucas horas depois de nascer.
Sua trajetória estudantil passa pelo Colégio São Pedro (no bairro floresta) e pelo Colégio Rosário. Ele tinha tudo para ser gremista, pois sob a influência do pai ( sócio e torcedor do tricolor gaúcho), trabalhava na empresa de Saturnino Vanzelotti, dirigente gremista que mais tarde se tornaria presidente do Grêmio. O presidente que contratou o primeiro negro na história do futebol gremista: o Tesourinha.
Ao contrário de toda a família, Abilio preferia o Pombal, um time da várzea da zona norte de Porto Alegre onde ele era quarto-zagueiro.
No seu tempo de adolescente, bastava aparecer uma área limpa e uma bola e já estava formado um novo clube, assim nasceu o clube Mauá. No campo do Isaías, um uruguaio comerciante na Cristovão Colombo que ofereceu o campo ao lado de sua casa e deu uma bola para a Abilio e seus amigos que limparam o terreno. 
Assim foi também em 1934, quando o proprietário do Restaurante Santo Antônio, ajeitou um campo, reuniu a gurizada e nasceu o Atlântico Futebol Clube. 
Abílio se destacou no futebol de várzea, com o apelido de 'canhão do morro' pelo seu chute forte. O morro era referente ao Morro São Pedro onde ficava a sede do Pombal. 
Entre idas e vindas foi no Pombal que ganhou o primeiro título de campeão varzeano, torneio promovido pelo jornal Folha da Tarde (em 1940). No clube se tornou um dos mais antigos jogadores e, naturalmente, assumiu o cargo informal de treinador e capitão do time. Este foi o início de sua carreira como técnico. 
Começa também sua trajetória como descobridor de craques na várzea em clubes pequenos. 
Em 1947 foi auxiliar técnico do Renner e com a saída do amigo Acácio (treinador) assumiu a posição. Neste ano o Renner superou as potências que eram Inter e Grêmio. Foi Campeão da Cidade. Desse time os destaques eram Sábia e Valdir, este último, se consagrou no futebol como um grande goleiro (arqueiro) e foi treinador de goleiros do Palmeiras. Em 1955 Abilio montou um time de juvenis, e de seu elenco teve dois craques que foram transferidos para o Corinthians e para o Internacional. No final de 1958, Frederico Arnaldo Ballvé, presidente do Inter, convidou Abilio para treinar os juvenis do clube onde ele ficou até 1961. De suas andanças como técnico das categorias juvenis, retornou ao Inter em 1964 até 1968.
Seu olho clínico não perdia um craque de vista! Como nesta passagem contada no livro ....Abilio dos Reis, o garimpador de talentos :
Abílio dos Reis desceu do carro e, compenetrado, observou uma pelada de garotos que jogavam na Praça da Redenção. Era 1959. Terminado o jogo, aproximou-se do centroavante de um dos times e convidou-o para testes no Internacional. 
No Dia seguinte o rapaz treinou e foi aprovado.
-Tens apelido? 
-Tenho. É Larry. 
-Por quê? 
-Porque sou centroavante e me acham parecido com ele (Larry Pinto de Faria). Abílio passou a orientar seus treinamentos. Após alguns ensaios, recomendou-o jogar na quarta zaga e logo a seguir na lateral esquerda. Com a mudança de posição o apelido perdeu sua razão. Deixou de ser Larry e passou a ser ele mesmo, Sadi. E como Sadi foi o capitão do time e titular do Internacional por sete anos. Foi um dos precursores do lateral de avanço. hoje chamado de ala. Diversas vezes convocaram-no para a Seleção Brasileira. 
Garimpados por ele estão Carpegiani, Dunga, Sadi, Dorinho, Pontes, Mauro Galvão, Schneider, Cláudio Duarte, Sérgio Galocha, entre outros. 
Muitos atletas do clube que tiveram a sua participação em sua formação e foram burilados por ele como Flávio Bicudo, Gilmar, Luiz Carlos Winck, Claudiomiro, Escurinho, Pinga, Caíco, Falcão, entre outros. 

Acervo /Arquivo Histórico SCI/Biblioteca Zeferino Brazil/Sport Club Internacional
Abílio dos Reis o garimpador de talentos autor Abrão Aspis, editora Acadêmica, Porto Alegre, 1995 - 116p. - livro disponível para pesquisa na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI - Sport Club Internacional - 2º andar do Gigantinho
foto: acervo digital - doação Leonardo Menezes

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

De Três Dedos...um lançamento para a eternidade

 Sadi o lateral esquerdo, o “cara” do passe de três dedos, pensava em cada bola cruzada para a área do adversário. Suor, ímpeto, inteligência. A dedicação ao labor, que não era trabalho mas quase um ócio, fez dele o lider em campo. Tivemos a honra de conviver com ele, Yzara e eu, quando da necessidade de resgatar alguns momentos de sua passagem pelo Sport Club Internacional para constar em sua última obra: o livro intitulado Nosso Capitão. Já com a voz sofrega mas sempre marcante, Sadi nos contou sobre momentos impares em sua trajetória como jogador. Histórias que ficarão para a história.

Ao sabermos de sua partida, no dia 27/02/2019, pensamos em todas as histórias que ele ainda estava para nos contar. Quem sabe noutro “campo”, para além das quatro linhas... Capitão Sadi, o atleta focado e aguerrido. Sadi o servidor público, como vereador. Sadi o comentarista esportivo, quando radialista. Sadi foi eleito, em 1967 e 1968, o melhor lateral esquerdo do Brasil (Brasil:berço de craques).
Obrigada Sadi pelos títulos, obrigada pelo espetáculo na inauguração do Beira-Rio (que este ano completa 50 anos de VIDA), obrigada pelo espirito de equipe...pela força de um time. Obrigada pelo Nosso Internacional. 
Em visita a Biblioteca e Arquivo Histórico para pesquisa de seu livro

Última obra de Sadi 
Noite de autografo do Nosso Capitão
Texto: Ana Maria Froner Bicca- CRB 10-1310-Bibliotecária do SCI e Yzara Menegaz-Arquivista do SCI
Fonte: Biblioteca Zeferino Brazil e Arquivo Histórico do SCI