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quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Porque casamata? E outras metáforas do futebol!!⚽⚽




Casamata - Estádio Eucaliptos - Foto Acervo Daltro Menezes
Você sabe o que é casamata? E artilheiro ou capitão? As metáforas na linguagem do futebol que tem origem a atividade militar fazem parte do dia a dia de comentaristas, torcedores e atletas.
Casamata - Estádio Beira Rio - Foto Sport Club Internacional
Como não lembrar do nosso eterno capitão? Em 2004, seu primeiro jogo o meia/ atacante que chegava para somar no elenco Colorado. Sua estreia no GRENAL, jogo valendo pela Copa Sul Americana. Foi com o gol 1000 em GRENAL que Fernandão começou a construir sua trajetória vitoriosa.
Fernandão comemora o gol 1000 - Beira-Rio, 10 de julho de 2004 - Foto de Mauro Vieira
Carlitos foi o grande goleador do Rolo Compressor, atuando durante 14 anos, marcando 485 gols e o maior artilheiro da história dos Gre-Nais. Sempre brincalhão, chegou a prender a camiseta do jogador adversário no gancho da rede. Autor de um eterno e memorável feito na história colorada, o "Gol do Plano Inclinado". Fiel ao clube, jamais defendeu outro time em sua longa carreira.

Fonte da imagem: Detalhe de página - Revista Colorada/Edição nº6 Jul/Ago-1958 - Biblioteca Zeferino Brazil/FECI

Buscamos ilustrar esta postagem com um texto que aborda o futebol além das quatro linhas!
Esse artigo de João Machado de Queiroz acessado em:
https://www.monografias.com/pt/trabalhos2/metaforas-linguagem-futebol/metaforas-linguagem-futebol2.shtml é uma adaptação de um capítulo da tese de doutoramento, apresentada na Unesp, Campus de Assis –SP, intitulada Vocabulário do Futebol na Mídia Impressa: o glossário da bola.

Mesmo que as palavras existentes em um sistema lexical sejam portadoras de acepções diversas, o sentido por elas veiculado situa-se em apenas dois planos: a) significado denotativo e b) significado conotativo.
Para a Semântica Estrutural denotação é o segmento do significado que contém semas genéricos e traços semânticos estáveis, enquanto que a conotação é constituída por semas virtuais, somente atualizados em contextos específicos.
Garcia (1983, p. 161) esclarece a abrangência entre um e outro conceito:
A mesma conceituação pode ser expressa em termos um pouquinho mais claros: denotação é o elemento estável da significação de uma palavra, elemento não subjetivo (grave-se esta característica) e analisável fora do discurso (= contexto), ao passo que a conotação é constituída por elementos subjetivos que variam segundo o contexto.
A seguir, uma seqüência de metáforas relativas ao domínio militar que migraram e se incorporaram, por extensão de sentido, à linguagem do futebol.
Para melhor visualização, esses vocábulos estão apresentados da seguinte forma: o item léxico destacado em caixa-alta. No plano imediatamente inferior (linha abaixo), os significados denotativo (SD) e conotativo (SC). Quando existentes, foram relacionadas situações de parassinonímia.
Encerrando o quadro, a abonação do enunciado, como foi veiculado na mídia, com destaque em negrito para o vocábulo referência.

ARÍETE s.m.
SD Artefato bélico utilizado pelas forças invasoras para arrombar muralhas ou portões de edificações fortificadas.
SC Atacante impetuoso que rompe a defesa adversária.
A Seleção Uruguaia sai mais para o ataque, jogo e tem em Chevanton e Diogo Furlan dois aríetes perigosos. (DSP, Cad. Esp, 17-11-2003 - p. 09)
Nota: Do latim [ariete]

ARTILHEIRO s.m.
SD Soldado que opera peças de equipamento bélico com grande poder de fogo.
SC Jogador que faz muitos gols no transcurso de uma partida ou durante um campeonato. Sinônimo: matador.
O atacante Frontini, 23, artilheiro do Marília no Campeonato Paulista com dez gols, já está falando como jogador do Santos. (FI, /www.futebolinterior.com.br/ 10-05-2005)

BASTIÃO s.m.
SD Parte de uma fortaleza medieval que avança em forma de ângulo saliente, de onde os soldados atiram flechas contra o inimigo.
SC Último jogador do sistema defensivo de uma equipe.
Em termos técnicos, pelo que se tem visto nas últimas rodadas, a coisa começa a ficar parelha, ainda mais depois da saída de Túlio — bastião e ponto de equilíbrio do meio-campo botafoguense. (GB, /www.oglobo.com.br/ - 05-08-2005)
Nota: 1- Do italiano [bastione]
Nota: 2 Vocábulo em desuso.

BATALHA s.f.
SD Combate entre exércitos inimigos.
SC Partida de futebol. Sinônimos: duelo, confronto, guerra.
Os jogadores seguem o mesmo raciocínio do técnico Jair Picerni e apelam para o velho chavão – vencemos apenas uma -batalha. (GE, 22-05-2001 - p. 07)
Nota: Do italiano [battaglia]

BLINDAGEM s.f.
SD Proteção com placas de kevlar para proteger os ocupantes de veículos militares e carros de combate.
SC Sistema defensivo protegido por um grande número de jogadores postados estrategicamente nas proximidades de sua meta.
Apesar da pressão no final, contudo, o Cerro Porteño não teve força para marcar e a blindagem armada por Candinho, que atuou com três volantes e três zagueiros, mostrou eficiência. (UOL, /www.uol.esportes.com.br/ - 03-03-2005)
Nota: Vocábulo formado por derivação sufixal: blindar + agem.

BLITZ s.f.
SD Bombardeio terra-terra e/ou ar-terra
SC Sucessão de ataques de uma equipe sobre a defesa adversária. Sinônimo: bombardeio, carga.
De início, o Corinthians, encetou uma blitz irresistível, perdeu dois gols e, aos 10 minutos, córner da esquerda, Devid de cabeça, rede. (DSP, /www.diariosp.combr/ - 11-04-2002)
Nota: Empréstimo do alemão [blitz]

BOMBA s.f.
SD Projétil explosivo arremessado por peça de artilharia.
SC Chute de grande potência desferido contra o gol adversário. Sinônimos: balaço, canhão, foguete,míssil, torpedo.
Após um bate-rebate na área do Figueirense, a bola sobrou para o meia corintiano, Renato, que mandou uma bomba e acertou a trave catarinense pela primeira vez. (LCE, /www.lancenet.ig.com.br/ - 07-08-2003)

BOMBARDEIO s.m.
SD Ação de lançar artefatos explosivos contra as linha adversárias.
SC Ataques seqüênciados que uma equipe executa contra a defesa adversária.
Sentindo o domínio do adversário, o Bahia intensificou a pressão a partir dos 30min, e promoveu um verdadeiro bombardeio na área bugrina. (PLC, /www.placar.com.br/ - 10-11-2002)
Nota: Derivação regressiva do verbo bombardear.

CASAMATA s.f.
SD Abrigo blindado, em forma de abóbada, que protege os soldados do assédio inimigo.
SC Proteção abobadada, comumente construída de material plástico, que protege do sol, ou da chuva o assento, onde fica a comissão técnica e os jogadores reserva.
Expulso, Somália partiu para cima da casamata adversária, e a vilência foi generalizada, a Brigada Militar entrou em campo e evitou o pior. (ZH, /www.zerohora.com.br/ - 26-03-2005)
Nota: 1- Do italiano [casamatta]
Nota: 2- Trata-se de um emprego restrito à imprensa do Rio Grande do Sul.

CANHÃO s.m.
SD Peça de artilharia.
SC Chute desferido na bola com extrema violência.
Nelinho ficou conhecido mesmo por ser um preciso cobrador de falta, dono de um chute potente, e a fama de seu canhão rendeu até uma inesquecível matéria feita pela TV Globo, em que o lateral chutava uma bola para fora do estádio Mineirão. (GE, /www.gazetaesportiva.com.br/ - 05-02-2004)
Nota: Do italiano [canonne]

CIDADELA s.f.
SD Edificações fortificadas que protegem uma cidade.
SC Conjunto de balizas que constituem a meta. Sinônimos: arco, baliza, meta.
Na confusão do goal, no afã de salvar a sua cidadela, visto que o arco estava desguarnecido por Manuelzinho, Jaminho, num esforço titânico, vai em busca da pelota. (DSP, /www.diariosp.com.br/ - 28-03-2003)
Nota: Do italiano [cittadella]

CONTRA-ATAQUE s.m.
SD Rápida ação ofensiva em resposta a um ataque do inimigo.
SC Situação em que uma equipe sai rapidamente de uma posição defensiva para uma ofensiva.
Porém, na ânsia de chegar logo ao primeiro gol, o Galo abria brechas para o contra-ataque Tricolor, que chegava com perigo na área de Velloso, em jogadas iniciadas pelo armador Carlos Alberto. (GE, /www.gazetaesportiva.com.br/ - 03-09-2003)
Nota: Vocábulo formado pelo processo da composição por justaposição: contra + ataque.

ENTRINCHEIRAR v.i.
SD Proteger-se de ataques inimigos em escavações feitas no campo de batalha.
SC Assumir declaradamente uma postura defensiva, plantando um grande número de jogadores no campo defensivo.
O Cruzeiro saiu em busca do empate, mas o time mexicano se entrincheirou, passou a explorar os contragolpes e o duelo ficou ainda mais difícil. (PLC, /www.placar.com.br/ - 11-03-2004)
Nota: Vocábulo formado pelo processo da derivação parassintética: em + trincheira + ar

ESQUADRÃO s.m.
SD Unidade tática militar.
SC Equipe de grande potencial técnico.
O grande Corinthians mais parecia um time pequeno e diante de um River Plate que, sinceramente, não tem nenhum esquadrão, muito inferior ao River que tinha Saviola, Ortega, Pablito Aimar, sem fazer menção aos grandes esquadrões argentinos do passado. (GE, /www.gazetaesportiva.com.br/ - 01-05-2003)
Nota: Do italiano [squadrone]

ESTAR FORA DE COMBATE sin. v.
SD Ser ferido com gravidade, ficando impossibilitado de continuar combatendo.
SC Deixar de jogar por contusão ou por estar cumprindo pena disciplinar.
O atacante Deivid, que entrou ontem no segundo tempo, foi expulso e está fora de combate para o próximo desafio. (ET, /www.esportes.terra.com.br/-15-02-2001)
Nota: Sintagma verbal expandido.

ESTRATÉGIA s.f.
SD Aplicação de recursos bélicos na planificação de um combate.
SC Exploração de pontos negativos e neutralização dos positivos da equipe adversária, a fim de criar situações favoráveis para uma vitória.
A estratégia montada por Roberto Rojas, com três zagueiros e seis jogadores no meio-campo, deixou Luís Fabiano completamente isolado no ataque. (GE, /www.gazetaesportiva.com.br/ - 06-08-2003)
Nota: Do latim [strategia]

FLANCO s.m.
SD Parte lateral de um exército que está se deslocando.
SC Lado direito ou esquerdo do campo de jogo, paralelo à linha lateral, por onde uma equipe pode traçar uma estratégia ofensiva.
O técnico Antônio Lopes, do Coxa, usa muito as jogadas aéreas, especialmente nas descidas rápidas pelos flancos ou nas faltas laterais e escanteios, buscando o Tuta para o cabeceio. (JS, /www.jsports.com.br/ - 25-04-2004)
Nota: Do francês [flanc]

FOGUETE s.m.
SD Artefato de fogo da artilharia.
SC Chute desferido com grande violência.
Magno Alves disparou um foguete logo a um minuto de jogo e a bola explodiu no peito do bom goleiro Val. (LCE, 14-09-99 - p. 04)

FUZILAR v.i.
SD Matar com o disparo de um fuzil, arma privativa de unidades militares.
SC Concluir uma jogada com um chute extremamente violento, à curta distância, contra a meta adversária.
Aos 9min da etapa final, Romário é lançado na área e dá uma assistência genial para Clebson, que fuzila na saída de Barbat. (PLC, /www.placar.com.br/-14-03-2000)
Nota: Derivação sufixal: fuzil + izar

GUERRA s.f.
SD Confronto armado entre exércitos de duas nações.
SC Partida de futebol.
Segundo Diego, o camisa 10 santista, que já incorporou o espírito da competição sul-americana, o jogo de volta, entre o Santos e o Nacional do Uruguai, nesta quinta-feira, na Vila Belmiro, será uma guerra. (ET, /www.esportes.terra.com.br/ - 07-05-2003)

CAPITÃO s.m.
SD Oficial militar que, hierarquicamente, detém o posto de capitão.
SC Jogador que representa sua equipe perante o árbitro da partida, participando do sorteio no centro de campo.
Aos 23 anos, Fabinho terá a honra de ser o capitão corintiano no amistoso de domingo, contra o Saturn-REN TV, em Moscou. (LCE, /www.lancenet.ig.com.br/ - 04-09-2003)

MUNICIAR v.t.
SD Prover de munição o operador de uma peça de artilharia.
SC Servir os atacantes com lançamentos precisos e bolas bem trabalhadas.
No meio-de-campo, Juninho Paulista e Alex terão a missão de municiar o ataque da Seleção Brasileira, composto por Geovanni e Jardel. (ET, /www.esportes.terra.com.br/ - 11-07-2001)

MURALHA s.f.
SD Grande muro que proteje uma edificação fortificada.
SC Goleiro que pratica defesas milagrosas.
Não podemos tirar os méritos do adversário, principalmente do goleiro Flávio, quer constituiu numa verdadeira muralha. (GE, 10-11-97 - p. 07)
Nota: Derivação sufixal: muro + alha (sufixo aumentativo)

PETARDO s.m.
SD Artefato explosivo disparado por peça de artilharia.
SC Chute desferido com grande violência.
Logo em seguida, foi a vez de Christian dominar, girar e mandar o petardo que tirou tinta da trave. (GE, /www.gazetaesportiva.com.br/ - 31-10-2003)

REDUTO s.m.
SD Fortaleza inexpugnável.
SC Sede ou estádio em que um time manda seus jogos
Mesmo jogando fora de seu reduto, o técnico do Bragantino, Tulio Tangione Neto, exige uma reação. (GE, 11-02-2001- p. 04)

RETAGUARDA s.f.
SD Parte extrema que finaliza o corpo de um exército.
SC Grupo de jogadores que forma a retaguarda defensiva de uma equipe.
O panorama da partida permanecia com os paranistas procurando o ataque e tendo na retaguarda do Tricolor carioca uma fonte aliada, já falhava seguidamente, tornando qualquer cruzamento para a área um lance de perigo. (PLC, /www.placar.com.br/ - 24-08-2003)

TANQUE s.m.
SD Carro de combate blindado.
SC Jogador de grande vigor físico que, utilizando seu corpo, rompe a defesa adversária.
Tanque, lá pelos anos 50, era o centroavante que trombava com os zagueiros: tinha de ser forte, parrudo, pois era ele quem abria a defesa adversária. (Lce, /www.lancenet.ig.com.br/ - 20-07-2004)
Nota: 1- Do inglês [tank]
Nota: 2- Vocábulo geralmente empregado com acepção desvalorativa, contudo grandes seleções e equipes tiveram seus "tanques" que, com grande eficiência, tornaram-se eméritos goleadores: Vavá (Seleção Brasileira, Vasco, Atlético de Madri e Palmeiras), Sérginho Chulapa (Seleção Brasileira, São Paulo, Corínthians e Santos), Luizão (Seleção Brasileira, Guarani, Palmeiras, Deportivo La Coruña, Vasco e Corinthians), etc

TIRO s.m.
SD Disparo de arma de fogo.
SC Chute violento.
Tanto que a única grande chance do Santos no primeiro tempo foi um tiro à queima-roupa de Elano, em lançamento primoroso de Diego, que Sílvio Luís conjurou. (DSP, /www.diariosp.com.br/ - 18-09-2003)

TRINCHEIRA s.f.
SD Escavação feita no local de combate para proteger os soldados.
SC Estratégia defensivista adotada por uma equipe.
Para não perder a vantagem de três gols no saldo do confronto e se classificar para as semifinais da Copa Libertadores, o técnico Cuca deve armar uma trincheira para evitar que os venezuelanos marquem algum gol. (ET, /www.esportes.terra.com.br/ - 24-05-2004)
Nota: Do francês [trancèe]

ÚLTIMO CARTUCHO sin. nom. m.
SD Último projétil para municiar uma arma de fogo.
SC Última investida de uma equipe, nos minutos finais de um jogo, na tentativa de reverter um placar desfavorável.
Depois de ter testado o meia Vandinho, os volantes Dário e Marcelinho, além de Arley e Wellington, especialistas na posição, Renê parece que vai partir para seu último cartucho na lateral-direita. (ET, /www.esportes.terra.com.br/. - 01-09-2000)

VOLANTE s.m.
SD Tropa de assalto de grande mobilidade tática por não portar armamentos pesados.
SC Jogador defensivo que atua na frente dos zagueiros dando o primeiro combate aos atacantes adversários.
Perto da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, o São Paulo corre o risco de não poder escalar o volante Gallo, amanhã à tarde, contra o Vitória, no Morumbi. (ESP, /www.estadao.com.br/ - 19-09-1997)

5. Considerações finais
Míssil, foguete, bomba, torpedo, petardo, blitz, bombardeio são vocábulos que compartilham tanto na leitura de qualquer texto alusivo a uma guerra quanto no noticiário esportivo.
A transformação de uma partida de futebol em uma guerra virtual, utilizando-se da linguagem de combatentes, é uma das marcas da mídia brasileira na cobertura de jogos de futebol.
Haja vista que pela sua própria origem existe um estreito relacionamento entre o histórico de jogos com bola, acionada com os pés, e o vocabulário militar.
O jogador de futebol, da mesma forma que soldado, deve ser disciplinado, corajoso, e lutar com valentia. A bravura em combate é fator primordial para superar o oponente. A missão, a ele destinada, é subjugar e aniquilar impiedosamente o oponente.
A função do técnico, como a de um comandante militar, é planejar estratégias ofensivas e defensivas que possam levar sua equipe à vitória.
O campo de jogo se transfigura em campo de batalha, dividindo-se em três regiões: defesa, o meio de campo e o ataque.
A defesa tem a missão de bloquear os avanços do oponente, rechaçar as ações ofensivas, aliviar o perigo, proteger todos os setores vulneráveis e, se necessário, empregar de violência para neutralizar as jogadas do adversário, porém, jamais ceder espaço territorial.
O meio de campo deve propiciar oportunidades de gol para os atacantes. Para isso, é necessário primeiro desarmar para, então, criar em velocidade contra-ataques mortais. A missão é avançar, destruir, dar cobertura e apoio aos atacantes, pressionar o adversário.
O ataque constituído pelo centro avante (o tanque, o matador, o artilheiro) e pelo raçudo e rompedor ponta de lança tem por função furar o bloqueio defensivo e investir como um aríete contra a meta adversária. O meia armador tem a responsabilidade de municiar seus atacantes para que possam, com disparos certeiros, fuzilar o goleiro.
Tudo leva à guerra, o jogo é visto como um combate de vida ou morte: trata-se de matar para não morrer.
O gol, representado pela meta (postes verticais e barra superior) deve ser uma fortificação inexpugnável, o zagueiro um bastião imbatível pelo alto e por baixo. O volante desempenha o papel de um sistema de contra-espionagem, cuja função é destruir as articulações adversárias.
O banco de reservas é a casamata, local em que os soldados se abrigam enquanto aguardam o momento de participar do combate em substituição àqueles que já não podem mais lutar.
Em resumo, a mídia transforma em heróis os jogadores do time vencedor e, por vezes, até mesmo da equipe vencida, desde que eles tenham demonstrado bravura e denodo no campo de luta.

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Ildo Meneghetti o *Patrono do Internacional

Em entrevista, no ano de 1974,o Sr. Meneghetti afirmava que sua função naquele momento era buscar harmonizar os ânimos sempre que lhe chamassem e apoiar as deliberações que contribuíssem para o crescimento do Internacional. Este Sr. COLORADO então com 79 anos, tinha em seu currículo a honra e o mérito de ser o patrono do Sport Club Internacional.
Porto alegrense, filho de imigrantes italianos, estudante do Ginásio Anchieta e da Escola Brasileira, em 1910 começou sua trajetória colorada ingressando no quadro social do Club na categoria de filhote. Um ano depois já era subdiretor desta categoria, dividindo com Carlos Kluwe (diretor presidente) a responsabilidade de dirigir os filhotes colorados. Segundo depoimento do patrono , sua chegada ao clube foi tentando ser jogador mas era um ¨extrema-direita¨ muito fraco e quando foi eleito subdiretor começou sua vida na administração do Inter. O SCI tinha dois anos de vida.
Ildo Meneghetti, formado em engenharia pela Faculdade de Engenharia de Porto Alegre, presidiu o SCI por sete vezes, sendo cinco delas em consecutivo. Logo ao assumir, já vivenciou problemas com a Federação Rio-Grandense de Futebol, presidida por seu amigo, o colorado Antenor Lemos (que já havia presidido o clube). O Inter rompeu com a Federação e a amizade estremeceu. As questões que se somaram na gestão de Meneghetti eram de ordem financeira e de estrutura, pois o Inter não tinha uma sede.
Ata da primeira eleição de Ildo Meneghetti como presidente em 1929

E aí se dá inicio ao legado imensurável deste Colorado. Ildo Meneghetti, com sua habilidade em lidar com as diferenças, agregou colorados com as mais diversas aspirações e os conciliou para um objetivo único e maior: o Sport Club Internacional. E de sua capacidade de lidar com as diferenças, Ildo Meneghetti conseguiu que tivesse, o Inter, sua primeira casa própria: o Estádio dos Eucaliptos.

Quando, na necessidade de se reestruturar o Eucaliptos-pós Copa de 50 - pois faltava lugares aos torcedores colorados, Ildo Meneghetti somou forças na batalha da área junto as águas do Guaíba, área que hoje tem o Gigante da Beira-Rio. Mas de 1950 até 1969, quando da inauguração do novo estádio, as batalhas foram intensas para se obter a doação da Prefeitura Municipal de Porto Alegre e o Sr. Ildo Meneghetti sempre acompanhou de perto, fazendo questão de com sua autoridade pública (foi prefeito de Porto Alegre e governador do Estado) conciliar todos os interesses em bem do povo e do Clube do Povo.
Dr. Meneghetti foi o criador do chavão GRENAL é GRENAL. Segundo ele isso respondia a qualquer questão pós GreNal e preservava a imagem do esporte. Esta elegância em educadamente exercer uma retórica mais incisiva, fez de Ildo Meneghetti um homem de união e ação pelo seu Internacional.

Estatuto de 1944

*Indivíduo notável que defende uma causa, uma entidade, uma pessoa; protetor.
Fonte: Acervo da Biblioteca Zeferino Brazil/FECI- Sport Club Internacional
Arquivo Histórico do Sport Club Internacional

domingo, 4 de abril de 2021

Colorado, sinta-se em casa

Mensurar a grandeza e a força de uma instituição requer compreender o papel dessa instituição no contexto social em que ela se encontra.
Ao saudar 112 anos de vida do Sport Club Internacional, saudamos todos os feitos que faz esse Clube ser o Gigante que é. O INTER é um clube para além dos títulos regionais, nacionais, continentais e mundiais...e estamos olhando para certames futebolísticos somente.

Nesses 112 anos o SCI foi destaque em gestão administrativa (quando cuidava dos atletas antes mesmo do profissionalismo do esporte) e foi destaque em pódios de múltiplos esportes. Desde corrida de fundo a arremesso de pelota e dardo, no atletismo feminino e masculino, ou da prática do xadrez, do boxe, do karatê, do taekwondo, do judô, do basquetebol, do tênis, do handebol, do futebol de mesa, do futebol de salão e do futebol de campo, a dedicação e a entrega desportiva sempre foram marcas determinantes no Internacional. E este engajamento fez o INTER ser o INTER que é hoje.

Outra característica que sempre fez a diferença na história do Internacional é que ele sempre foi lume em práticas sociais. Desde sua origem o INTER congrega  em sua grandeza o acolhimento social sem distinção de raça, riquezas, credos, gêneros...desde sua origem todos estavam convidados a serem parte de uma associação desportiva do povo.  Do povo de Porto Alegre (1909) e de todos os lugares, nos dias atuais e para sempre.

1909, Porto Alegre se iluminava com os bairros que já dispunham de energia elétrica, a cidade festejava o cinema com o Cine Recreio Ideal, o bond elétrico circulava pela cidade, cafés e confeitarias eram os “points” mais requisitados, as sociedades de bailes Esmeralda e Venezianos proporcionavam momentos de dançantes alegrias à população. Porto Alegre desabrochava para o século XX  e seus poucos mais de 120 mil habitantes conviviam com uma economia que contava com pouco menos de 2.500 lojas, 154 fábricas e 149 oficinas. A cidade crescia e a população buscava encontrar seu espaço no contexto social. 

Parabéns Colorados!!! 

Parabéns INTER!!!!!

Ana Maria Froner Bicca 
Bibliotecária do SCI –CRB10-1310

Fontes:
Acervo do Arquivo Histórico e Biblioteca Zeferino Brazil – SCI
Acervo do Arquivo Histórico Municipal Moysés Vellinho - Poa
Google.com/Maps


terça-feira, 16 de junho de 2020

Parabéns Maracanã! Palco de muito futebol.

Brasil, a terra do futebol com arte. A terra de um povo cheio de ginga e fé. A terra de um povo que ama o futebol e que traduz isso no número de estádios que cobrem o território nacional. A pátria que possui o estádio de futebol mais conhecido no mundo: o Estádio Mário Filho mais conhecido como Maracanã. Inaugurado em 16/06/1950, quando o Brasil sediava a IV Copa do Mundo de Futebol. Hoje o “Grande Maraca” completa 70 anos de idade. 70 anos de futebol e esporte. Setenta anos de histórias apaixonadas de futebol.

Boletim cbd - Estádios do Brasil - Extra (Ano 4, 1973)

Enquanto o Maracanã era inaugurado, o Sport Club Internacional promovia melhorias no Estádio dos Eucaliptos, que receberia jogos da Copa do Mundo. Alguns anos mais tarde os Colorados começariam a campanha que edificaria o Gigante da Beira-Rio.
 Sport Club Internacional
Fontes:
Acervo /Arquivo Histórico SCI/Biblioteca Zeferino Brazil/Sport Club Internacional
Revista disponível na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI - Sport Club Internacional - 2º andar do Gigantinho*
*No momento fechada devido ao Isolamento Social

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Feira do Livro de Porto Alegre

Está acontecendo a Feira do Livro de Porto Alegre. A feira acontece desde 1955 e oferece ao público diversas bancas com todos os gêneros literários, além de atividades culturais, contação de histórias e sessões de autógrafo. O que começou com apenas 14 barracas de madeira na Praça da Alfândega, hoje conta com mais de 100 expositores e é reconhecida como o primeiro Patrimônio Imaterial da cidade de Porto Alegre.
Aproveitando o tema da Feira do Livro, deixamos aqui mais algumas sugestões de leitura do acervo da Biblioteca Zeferino Brazil. 


O livro "O Gigante da Beira-Rio Entra na Literatura Brasileira" foi editado em 1969, e conta detalhes da história do Sport Club Internacional e do Estádio Beira-Rio. Possui diversas fotos e documentos oficiais do Clube e é uma fonte muito rica de pesquisa. 


Outros dois livros disponíveis na Biblioteca do Inter são "Na Sombra dos Eucaliptos" e "O Gigante da Beira-Rio", ambos de Carlos Lopes dos Santos. São dois livros que contam a história do Internacional de maneira minuciosa, e que todos os colorados devem conhecer. 
Lembrando que a Biblioteca Zeferino Brazil funciona de segunda a sexta-feira das 9h às 18h.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Porto Que te Quero Sempre Alegre

Porto Alegre dos feitos relevantes, começo a adorar-te junto a Ilhota, numa rua chamada Arlindo...

entre os matchs de nosso principio. 
Agradeço pelas disputas junto a Volta do Carneiro nos Campos da Redenção,

pela bucólica Chácara dos Eucaliptos onde alicercei meu primeiro ground. Lugar onde  entre um jogo e outro os porto-alegrenses celebravam o conviver com piqueniques junto ao arvoredo da Azenha. Certamente Francisco Antônio da Silveira -o Chico da Azenha- nem sonharia que aquelas terras que forneciam a farinha de trigo para a cidade, abrigariam UM CAMPEÃO DO MUNDO.

 Ah... Porto Alegre de meus cantares. De minhas conquistas, de tantos olhares  - das torcidas em dias de jogos -, da Rua da Praia em discussões futebolísticas...do GRENAL. Arrebatando paixões, mobilizando multidões numa concentração de máxima emoção. Porto Alegre é paixão.
Obrigada pelo teu Menino Deus, da Rua Silveiro,

onde a plagas distantes foi levado o teu nome, sendo cidade sede, pela primeira vez, de uma Copa do Mundo de Futebol. 
Porto Alegre a beira do Guaíba, te fizeste mais linda ao ver surgir das águas o Estádio do Povo.
Foto: Acervo pessoal Norma Prates
Confirmando que és Porto Alegre de Nossa Senhora dos Navegantes
Olha o Clube do Povo sob teu olhar !  
Photo Chico Sisto

Photo Chico Sisto
(...) correm os anos surge o amanhã, radioso de luz, varonil (...) 

Porto Alegre, tería mais...bem mais de 250 motivos para te celebrar mas só desejo que sigas, assim como eu, com tua senda de vitórias, Porto Alegre das glórias Orgulho do Brasil.
Porto que te quero sempre Alegre.

Fontes: 
 Acervo do Arquivo Histórico e Biblioteca Zeferino Brazil –  SCI
 Acervo do Arquivo Histórico Municipal Moysés Vellinho  - Poa
 http://wp.clicrbs.com.br/coloradozh/files/2014/04/Beira-Rio-Adriana-Franciosi.jpg
Texto: Ana Maria Froner Bicca – Bibliotecária do SCI –CRB10-1310

sábado, 26 de março de 2016

Despedida do Estádio dos Eucaliptos

26 de março de 1969, marca a data do último jogo no Estádio dos Eucaliptos.
Inter vence o Rio Grande, por 4 a 1. 

Em 2015, Inter, Melnick e Prefeitura de Porto Alegre inauguram no local onde antes ficava o estádio a praça Memorial Eucaliptos.

terça-feira, 15 de março de 2016

Inauguração do Estádio dos Eucaliptos


No ano de 1928, um susto. O Asilo Providência, dono do terreno de Chácara dos Eucaliptos, queria o espaço de volta para fazer um loteamento ou exigia 40 contos de réis para vendê-lo. A preferência de compra era do Internacional, mas com apenas 19 anos de vida, o clube ainda era pobre, não possuía nem próximo daquela elevada quantia. 

A agremiação ficaria sem lugar para atuar. Numa reunião no Conselho Deliberativo, até proposta de fechamento do clube foi levantada, tal era o entrave. Se não fosse o número já significativo de torcedores e a emoção da conquista do primeiro Estadual, vencido no ano anterior, talvez seus dirigentes tivessem cerrado as portas.
Foi então que surgiu a figura de Ildo Meneghetti com a solução para o impasse: a construção de um estádio próprio. Sem dinheiro nenhum no cofre, muitos duvidavam, mas ele tinha uma carta na manga.
Engenheiro de formação propôs aos donos do terreno que dessem um prazo de dois anos para o Inter sair do local. Em troca, construiria para eles a infra-estrutura do loteamento através da firma em que trabalhava, a Dahne, Conceição & Cia.
Paralelo a isso, já eleito presidente do clube em 1929, lançou a campanha da construção do novo estádio num distante terreno da rua Silveiro. Com um financiamento do Banco Província, adquiriu a área, fez a terraplanagem e começou as obras. O banco emitiu 500 títulos, cuja soma era o valor do financiamento. Nesses dois anos, Meneghetti conseguiu vender 350 títulos. Os 150 restantes dizem que ele guardou em seu cofre particular com medo de que depois alguém viesse reivindicar ser dono de parte do estádio.


Compra terreno Eucaliptos 

Títulos iniciais
Em 15 de março de 1931 foi inaugurado o Estádio dos Eucaliptos com capacidade para 7 mil pessoas. Na partida de estreia, Internacional contra o Grêmio. Vitória de 3 x 0.

Ficha de jogo - Coletânea Helio Dias

A estrutura não era das melhores, mas o Inter poderia entregar a Chácara já com local para sediar seus jogos. Eram dois pavilhões de madeira, um para associados e outro para os chamados pagantes de pavilhão. Também havia o lado das Gerais, com uma arquibancada de poucos degraus, de tijolo e cimento, aproveitando o declive do terreno.

Em 1950 foram realizadas novas melhorias para sediar a Copa do Mundo, dando ao local a sua forma definitiva. A capacidade foi ampliada para 20.000 espectadores.

Imagem aérea do Estadio dos Eucaliptos 
Fontes: 
Fichas de jogos: Coletânea Helio Dias - Livro 1909 à 1942 - Museu do Sport Club Internacional - Ruy Tedesco
Revista GOOL, Edição 141